Resenha crítica do livro: “DE PASTOR A PASTOR”.

LOPES, Hernandes Dias. De pastor a pastor: princípios para ser um pastor segundo o coração de Deus / Hernandes Dias Lopes. São Paulo, SP: Hagnos, 2008. 168 p.

AUTOR

 Hernandes Dias Lopes, casado com Udemilta Pimentel Lopes, pai de Thiago e Mariana. Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas-SP, e Doutor em ministério pelo Reformed Thelogical Seminary de Jackson, Mississippi, Estados Unidos. Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, Espírito Santo, desde 1985. Conferencista e escritor, com mais de 100 livros publicados.

INTRODUÇÃO

DE PASTOR A PASTOR, apresenta princípios para os pastores que desejam serem pastores segundo o coração de Deus. O autor exorta os ministros do evangelho que antes de pastorear os outros ele precisa pastorear a si mesmo. Antes de exortar os outros precisa exortar a si mesmo. Antes de confrontar os pecados dos outros precisa confrontar os próprios pecados. O pastor não pode ser um homem inconsistente. Sua vida é a base de sustentarão do seu ministério. O sermão da vida é o mais eloquente sermão pregado pelo pastor.

No primeiro capítulo, o autor fala sobre os perigos do pastor. Ele apresenta uma triste e dolorosa realidade de que alguns daqueles que se levantam para pregar o evangelho aos outros não tenham sido ainda alcançados por esse mesmo evangelho. Há quem conduza os perdidos à salvação e ainda está perdido. Para justificar esta triste realidade, o autor escreve dizendo que há pastores não vocacionados no ministério; há pastores preguiçosos e gananciosos no ministério; instáveis emocionalmente; com medo de fracassar; confusos teologicamente; que governam o povo com rigor; que se iludem por achar que o ministério é um mar de rosas. Ainda há aqueles com o casamento destruído, descontrolados financeiramente e em pecado. Os pontos abordados neste capítulo descrevem perfeitamente a realidade de muitos pastores dos dias atuais, embora eu entenda que muitos que se encaixam neste perfil, não entenderam de fato a Quem estão servindo.

No segundo capítulo, o autor fala sobre a vocação do pastor. Ele introduz este capítulo falando que a vocação para o pastorado é a mais sublime de todas as vocações. Ele diz que o chamado de Deus é irrevogável e intransferível. Quando Deus chama, chama eficazmente. O autor justifica está tese dizendo que é Deus quem dá pastores à sua igreja; Ele faz isso segundo o seu coração, e por causa disso, o pastor deve exercer o seu pastorado com excelência. Pra isso, o pastor não deve apenas amar a pregação, deve também, amar as pessoas para quem se prega. Há muitos obreiros nos campos missionários que agem com indiferença diante dos membros da igreja. Não são acessíveis e não caminham com as ovelhas para conhecerem suas reais necessidades; apenas querem o status de “pastor”.

No terceiro capítulo, o autor escreve sobre o preparo do pastor. Hernandes Dias Lopes diz que a maior crise que a nação atravessa não é econômica nem social, mas moral; há uma crise na politica como consequência da corrupção, desvios de verbas e uso inapropriado de recursos públicos. O enriquecimento ilícito em nome da fé também se tornaram manchetes nos jornais, onde homens sem escrúpulo esconderam-se atrás dos púlpitos e fazem da igreja uma empresa lucrativa. Por essa razão o autor apresenta o exemplo de Elias, que foi levantado por Deus como profeta para restaurar seu povo e governo. Para resolver esse problema moral, o autor diz que Deus trabalha na vida do pastor antes de trabalhar através do pastor; Ele faz isso estando com o pastor na fornalha da prova e usando-o como guerreiro espiritual.

No quarto capítulo, Hernandes Dias Lopes fala sobre a vida devocional do pastor. Ele diz que há muitos pastores que só preparam a cabeça, mas não o coração. São cultos, mas vazios. São intelectuais, mas áridos. Têm luz, mas não fogo. Têm conhecimento, mas não têm unção. A vida do pregador fala mais alto do que os seus sermões. Muitos pregadores não vivem o que pregam. Condenam o pecado no púlpito o praticam em secreto. Pra solucionar esse problema, diz o autor, o pastor deve ser primariamente um homem de oração; deve ser um estudante da Bíblia; precisa se revestir de poder; e, deve pregar com profunda convicção e paixão.

 No quinto capítulo, o autor fala sobre os atributos do pastor. Neste capítulo, a vida do apóstolo Paulo é apresentada como exemplo das características de um pastor, tendo como base o texto das Escrituras Sagradas de 1 Tessalonicenses 2.1-20. Assim como Paulo, o pastor precisa ser um evangelista frutífero (1Ts 2.1-3); um mordomo fiel (1Ts 2.4-6); uma mãe carinhosa (1Ts 2.7-8); um pai exemplar (1Ts 2.9-12); e, um obreiro amoroso (1Ts 2.13-20). Depois de descrever os atributos do pastor à luz da vida de Paulo, o autor nos leva a refletir se: podemos colocar a nossa fotografia nessa mesma moldura onde está retrato de Paulo?

No capítulo seis, o autor do livro fala sobre os sofrimentos do pastor. Ele começa dizendo que o céu não é aqui. Aqui não recebemos os galardões, mas bebemos o cálice da dor. Mais uma vez a vida do apóstolo Paulo é apresentada como referência para ilustrar a tese abordada. Paulo experimentou a graça de Deus que o capacitou a enfrentar os sofrimentos da lida pastoral; a mesma graça de Deus o capacitou para viver vitoriosamente, a pesar das adversidades; e também o capacitou para experimentar os valores da vida mais excelentes, assim como também o capacitou a receber a assistência do céu na hora da morte.

No sétimo capítulo, Hernandes Dias Lopes escreve sobre os compromissos do pastor. Tendo o apóstolo Paulo como referência mais uma vez, o autor aborda sete compromissos do pastor: (1) com Deus; (2) consigo mesmo; (3) com a Palavra de Deus; (4) com o ministério; (5) com a igreja; (6) com o dinheiro; e, (7) com a afetividade. O pastor deve entender, segundo o autor do livro, que não há hierarquia na igreja de Deus. Tantos os líderes quanto os liderados são servos de Cristo; com isso, há um ciclo de ações e reações que envolvem o pastor num compromisso com o Deus da missão e a missão de Deus.

 No oitavo capítulo, o autor finaliza o livro falando de um tema de extrema importância, pelos quais muitos ingressão no ministério com ambições erradas e outros padecem no ministério por não compreenderem a importância e pratica do assunto: o salário do pastor. O autor expões dois extremos existentes quanto à questão salarial do pastor: o primeiro deles é quando o pastor age como um mercenário e ama mais o dinheiro do que a Jesus e suas ovelhas. O segundo extremo é a negligência das igrejas em pagar um salário digno para seus pastores. Há igrejas que deixam seus pastores passando privações e pensam que estão agradando a Deus com tal mesquinhez. O apóstolo Paulo é exposto mais uma vez com exemplo para ilustrar o assunto. O autor chaga a conclusão de que o lucro não pode ser o vetor que governa o nosso ministério. Deve-se, enfim, entender que a nossa verdadeira recompensa não é financeira, e essa recompensa não recebida plenamente aqui; embora ele também entenda que as igrejas devem sustentar os seus pastores com generosidade e alegria, pois isso é legítimo a um pastor.

AVALIAÇÃO CRÍTICA

Nesta obra há certa redundância nos tópicos dentro dos capítulos e até em comparação a capítulos já apresentados. Observa-se a repetição constante em alguns tópicos, dentro de capítulos diferentes. Isso faz com que a leitura seja maçante e cansativa. Há também inúmeras citações em todo o livro. Em alguns capítulos, há mais citações do que elucidação do próprio autor. Para falar a verdade, num livro de apenas 168 páginas, 335 citações chega ser um exagero. Pelo menos em quatro dos oito capítulos do livro, o autor faz uso da pessoa do apóstolo Paulo para ilustrar o ponto que está sendo abordado e até para extrair as lições ou características que deseja. Isso também dá um ar de enfado na leitura e acaba sendo inevitável que o leitor procure por outros exemplos que as Escrituras apresentam; até mesmo os demais apóstolos que também foram líderes ilustres e servos de Cristo, enquanto serviam a Sua igreja, como: Pedro, João e outros.

O livro é de muita importância para todo pastor que está iniciando no ministério e até para aquele que ainda esta na sala de aula de um seminário, pois trata de muitos desafios que ele encontrará na longa estrada ministerial; como também é altamente indicado para o pastor que já têm experiência na lida pastoral, pois ao ler esta obra, ele poderá rever suas ações ao longo do ministério e fazer uma autoavaliação diante do que é apresentado como princípios para ser um pastor segundo o coração de Deus.

CONCLUSÃO

A preocupação do autor do livro é percebida logo nas primeiras páginas. Ele diz:

Este livro é grito da minha alma e o soluço do meu coração. Foi escrito com dor e, às vezes, até com lágrimas. Estou convencido de que ser pastor é um bendito privilégio e uma grande responsabilidade. Ser embaixador de Deus e ministro da reconciliação é a missão mais nobre, mais sublime e mais urgente que um homem pode exercer na terra[1].

Ele se apresenta como um verdadeiro pastor vocacionado por Deus, preocupado com seus colegas de ministério e por aqueles que ainda irão iniciar a mesma caminha pastoral. Só quem viveu experiências profundas como pastor pode aconselhar de maneira assertiva na vida de outros pastores. Hernandes Dias Lopes tem sido essa referência em nosso país. Precisamos ler, meditar e absorver todos os princípios abordados nesta obra. Precisamos ler e reler este livro de tempos em tempos para mantermos, em nossa mente e coração, as razões pelos quais fomos chamados a pastorear todo o rebanho do Senhor.

Esta obra deve estar constantemente em nossa escrivaninha para consulta sempre que precisarmos; e sabemos que precisamos. Como o autor diz: “A vida do pastor é a vida do seu pastorado. O sermão mais difícil de ser pregado é aquele que pregamos para nós mesmos”.


[1] LOPES, Hernandes Dias. Hagnos, 2008, p. 7.

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