Resenha crítica do livro: “O PASTOR APROVADO”.

BAXTER, Richard, 1615-1691. O pastor aprovado: modelo de ministério e crescimento pessoal / Richard Baxter; resumido e editado por James M. Houston; introdução por Richard C. Halverson; tradução de Odayr Olivetti. São Paulo, SP: PES – Publicações Evangélicas Selecionadas, 2013; 224 p.

AUTOR

Richard Baxter (1615-1691) nasceu em 1615. Estudou amplamente vários assuntos. Deste modo, tornou-se um homem de excepcional conhecimento e habilidade para debates. Foi ordenado diácono pelo bispo de Worcester, em 1638. Por breve tempo (1641-1642), Baxter trabalhou como preletor e co-pastor em Kidderminster. Em 1642, o país se envolveu em guerra civil. Baxter serviu como capelão no Exército do Parlamento até 1647, retornando a Kidderminster como pastor. Ali, ele trabalhou até 1661. Estes 14 anos, em que teve a idade de 32 a 46 anos, foram notáveis por causa da transformação espiritual operada na cidade. Aquele município foi tão abençoado que se tornou um referencial na história evangélica da Inglaterra.

INTRODUÇÃO

Os membros da Associação de Worcester, a fraternidade de clérigos que tinha Baxter como espírito propulsor, se comprometeram a adotar o método de catequese paroquial sistemática, conforme o método de Baxter. Eles estabeleceram um dia de jejum e oração, para buscarem a bênção de Deus sobre este empreendimento e pediram a Baxter que pregasse naquele dia. Entretanto, quando o dia chegou, Baxter se encontrava muito doente para estar presente; por isso, em 1656, ele publicou o material que havia preparado uma exposição completa de Atos 20.28. Esse material recebeu o título de O Pastor Aprovado (“The Reformed Pastor”). Este livro tornou-se famoso, e tem sido usado em todas as gerações, até ao presente. Com “Reformado”, Baxter não queria dizer “protestante”, nem mesmo “calvinista”; refere-se com esse termo ao pastor revitalizado, renovado no coração e no espírito para servir plenamente a Deus.

O livro se divide em três partes e segue com uma espécie de resumo editado por James M. Houston, onde em muitos capítulos podemos ter, diante de nós, apenas assuntos relevantes para nosso tempo. Esta edição nos ajuda a chegarmos às conclusões necessárias sobre o assunto bordado, evitando extensas leituras de debates com assuntos do tempo em que Baxter vivia e que não nos diz respeito hoje. Podemos ir direto ao assunto relevante para todo ministro do evangelho dos dias atuais, com a edição feita neste livro.

Na primeira parte do livro, Baxter fala sobre a importância dos pastores fazerem um exame de suas vidas pessoais. Esta parte do livro eu jugo ser de extrema importância, pois lida com o caráter do obreiro diante de si mesmo. Ele faz alguns pedidos aos ministros da igreja sobre (sejam eles experientes ou leigos): não exercer o ministério de maneira descuidada e superficialmente; que se disponha a praticar a disciplina cristã e que se unam e se associem para a promoção da obra do Senhor.

Para os leigos, Baxter adverte-os que: (1) cuidem para não alimentar nenhum pensamento negativo sobre os seus pastores por termos nós, pastores, feito aberta confissão de pecados pessoas; (2) adverte-os, para não desprezarem seus pastores, se é que desejam escapar dos lobos. Na concepção de Baxter, os pastores experientes tem maior domínio nos pontos essenciais das Escrituras, além de ter a própria Escritura Sagrada como regra de fé e prática; (3) Baxter conclui pedindo que os pastores leigos tenham uma postura fiel e obediente aos seus mestres, tendo o cuidado de não se negar a aprender o que eles querem lhes ensinar.

Para Baxter, a obra ministerial deve ser realizada exclusivamente para Deus e pela salvação do Seu povo. Jamais poderá ser realizada visando algum lucro particular. Neste momento, o tom da discussão engrossa um pouco, pois Baxter se dirige ao caráter do pastor e suas reais intenções no ministério pastoral. Ele diz que a obra do ministério deve ser realizada com muita diligência e esforço, pois ela é de infinita importância para os outros e para nós mesmos; pra isso, é necessário haver: pureza e abnegação, diligência e trabalho duro para por em prática o que pregamos, prudência e eficiência na busca pelo alimento adequado nas Escrituras, ensino claro e simples quanto às doutrinas básicas e essenciais, dependência de Deus por meio da oração, humildade, reverência, equilíbrio entre a severidade e a delicadeza. Todas essas recomendações lidam diretamente com o caráter do pastor aprovado diante do Senhor da obra.

Baxter finaliza esta primeira parte do livro falando muito sério sobre a necessidade de o pastor cuidar de si mesmo antes e durante o ministério pastoral; eu imagino que este deveria ser o primeiro ponto a ser abordado nesta obra, uma vez que há muitos pastores no ministério cuidando muito bem de pessoas, mas negligenciando sua vida pessoal com Deus. É vital para cada ministro do evangelho entender que também somos falhos em nosso viver neste mundo; também caímos em tentação (não deveríamos, mas caímos); também precisamos nos arrepender de pecados cometidos, sejam pecados públicos como também aqueles que só nós e Deus sabemos. O arrependimento também é requerido aos pastores e o perdão também está disponível, basta o reconhecimento e confissão.

Baxter diz que é possível proclamar a outros a necessidade de um Salvador, e em nossos próprios corações negligenciá-lo. É possível morrermos de fome enquanto preparamos comida para outros. Somos exortados a cuidar de nós mesmos para não suceder que convivamos com os mesmos pecados contra os quais pregamos. É necessário nos humilhar, pois precisamos do auxílio de Deus para o cumprimento das nossas tarefas no ministério. Quão terrível é quando falamos tão longamente contra a dureza de coração dos ouvintes, e, contudo, ficamos endurecidos e surdos ao ruído das nossas próprias repreensões!

Na segunda parte do livro, Baxter descreve sobre a responsabilidade de o pastor cuidar do rebanho, ele diz: era, pois, necessário considerar o que devemos ser e o que devemos fazer por nossas almas, antes de considerar o que deve ser feito pelos outros; agora, veremos o que é cuidar “de todo o rebanho”.

Ele expõe de maneira sucinta que é indubitável que todo rebanho tenha um pastor, e que todo pastor tenha um rebanho. A ideia abordada por Baxter é que, embora uma igreja precise necessariamente de um pastor, ela também precisa se encaixar, numericamente falando, nas condições de o pastor supervisionar cada membro deste rebanho. Alguns pastores têm igrejas maiores do que sua capacidade de ação e, assim, não lhes é possível cuidar bem do rebanho todo. Baxter sugere que o pastor só deve se encarregar de fazer pelo rebanho o que puder fazer bem feito, e não tentar ir, além disso. Isso é plenamente verdadeiro quando olhamos para o quadro de muitas igrejas lotadas em nossos dias. Há pastores de muitas igrejas desta natureza que se quer sabem ao certo a quantidade de membros que pastoreia; não conhece todos os membros; não sabem onde moram e etc.; isto porque não querem compartilhar o ministério com outros pastores. Baxter finaliza este pondo dizendo: O tamanho do rebanho deve ser determinado pelo número de pastores.

Baxter encara a necessidade de pastores em cada igreja e o cuidado que cada um deve ter com seus respectivos membros, como um corpo ou uma corporação de indivíduos, onde o cuidado pastoral se destina a todo o rebanho. A primeira preocupação do pastor deve ser com toda a comunidade da igreja, a final de contas, sua missão é pastorear todo o rebanho do Senhor. Além de olhar para toda a comunidade da igreja, o pastor também deve estar apto para cuidar dos indivíduos da igreja, ou seja, o cuidado deve acontecer com cada membro do corpo individualmente.

Dentro da comunidade da igreja, há várias classes de pessoas que precisam ser assistidas, cuidadas e acompanhadas pelo pastor, uma vez que ele é o responsável por cada uma delas, pessoal e coletivamente. Há os “não convertidos” que sempre estão nos cultos domingo a domingo; há os espiritualmente fracos, que estão engatinhando na caminhada cristã; há os que são fortes, mas ainda precisam dos cuidados e alertas para não cair naquilo que acham estarem fortes.

Visando esta grande responsabilidade que cada pastor tem com seu rebanho, Richard Baxter apresenta as reais atividades do ministério pastoral: (1) pregação da Palavra, um aspecto sumamente excelente é a pregação pública da Palavra de Deus. É obra que requer grande habilidade e, principalmente, um viver e um zelo extraordinário; (2) ministração das ordenanças, outro aspecto do ministério pastoral é o de ministrar as ordenanças do batismo e da Ceia do Senhor; (3) conduzir o povo nas orações      da igreja e nos louvores ao Senhor; (4) o cuidado específico de indivíduos e visitação aos enfermos. Todos esses cuidados contribuem para o cuidado pastoral pelo rebanho do Senhor.

Nesta segunda parte do livro há capítulos que muito se assemelham no assunto. Como por exemplo, o capítulo seis que, embora aborde outro aspecto do cuidado pastoral, continua visando o que já foi dito anteriormente sobre a importância do cuidado do rebanho do Senhor e suas maneiras de fazê-lo. No capítulo sete eu continuo com a sensação de estar lendo as mesmas recomendações em relação ao cuidado pastoral. Baxter pontua de que maneira esse cuidado pastoral pode se desenvolver na pratica, no ministério; embora já tenha, antes, pincelado o assunto.

 Na terceira parte do livro, o autor finaliza dando algumas diretrizes práticas para a condução eficiente do trabalho pastoral. Baxter dá alguns alertas importantes para todo pastor observar. Ele diz que o ministro deve assegurar-se em convencer os membros de seu rebanho, de sua capacidade e sinceridade por eles. Se eles acharem que o pastor é ignorante, desprezarão seu ensino e se julgarão tão sábios quanto ele. Se pensarem que o único pensamento dele é dominá-los, afligi-los e transtorna-los, fugirá dele, como se foge de alguém cujos esforços são vistos com desgosto e ódio. Só quando estiverem convencidos de que ele sabe o que faz e confia em sua própria capacidade, então respeitarão e serão dóceis ao seu ensino.

Pra isso, o pastor deve levar a sério seu ministério ao ponto de conhecê-lo habilmente; deve ensinar os preceitos do Senhor a cada encontro, levando a sério o desejo de serem conselheiros espirituais. Devem selecionar doutrinas importantes com questões doutrinárias, estudos com os pontos fundamentais da fé aplicando a verdade de maneira pessoal – lembrando sempre que é o Espírito Santo que ilumina as mentes dos homens, abranda-lhes os corações e os converter do poder de satanás a Deus, pela fé em Cristo, fazendo deles um povo peculiar e santificado. Baxter finaliza com recomendações importantes levando em consideração a questão pratica do cuidado, instrução e direção eficaz da obra pastoral.

AVALIAÇÃO CRÍTICA

Nesta obra há muitas recomendações importantes e, embora o tempo de Baxter tenha passado, suas recomendações continuam ressoando nos dias atuais. Pena que o livro seja pouco estudado e lido por muitos pastores de nosso tempo. Talvez o motivo disso seja a falta de interesse por melhorias e avaliação no ministério. Eu diria que este livro é uma excelente obra, embora eu tenha ficado com a sensação de ler tópicos repetidos em capítulos diferentes, ainda assim eles foram necessários para levar o leitor a refletir, olhando pra si, sobre o assunto abordado.

 Eu recomendo este livro, principalmente, para todo pastor experiente no ministério pastoral, pois ele lida com muitas negligências tomadas por pastores diante de suas comunidades cristãs. O que mais me chamou a atenção foi o assunto abordado nos capítulo três e quatro da primeira parte do livro. Achei muito pertinente falar sobre o cuidado de nós mesmos e a necessidade de arrependimento de cada pastor; como isso é importantíssimo! Muitos pastores vacilam no ministério por acharem que estão isentos de pecados ou por pensarem que já estão aptos e prontos suficientes para não se manterem sóbrios e vigilantes.

Para o pastor que está iniciando a lida ministerial, eu jugo este livro importante no que diz respeito à prevenção dos perigos que podem ocorrer durante o ministério. É correto dizer que este livro prepara o jovem pastor para se antecipar quanto aos problemas que surgirão no processo pastoral, assim como insisto em dizer que este livro deve ser lido a cada ano para prevenção e preservação da ação pastoral correta diante de Deus e do Seu povo.

Recomendo aos seminários evangélicos que tenham esse livro como leitura obrigatória para os alunos que, possivelmente, atuaram como pastores em suas comunidades evangélicas. Se desde o seminário o futuro obreiro se deparar com essas recomendações deixadas por Richard Baxter, tenho plena certeza que o Reino de Deus terá pastores com menos erros e pecados cometidos pessoalmente e diante da igreja do Senhor, por meio do exercício pastoral.

CONCLUSÃO

Quantos pastores hoje em dia estão em disciplina eclesiástica ou afastados de suas atividades pastorais por cederem às tentações! Quantos pastores hoje estão deixando de cuidar de si mesmos e se perdendo nas muitas atividades no reino de Deus e sem viver para o Deus do reino! É urgente a leitura desta obra por cada pastor de longa estrada ministerial. É crucial que cada pastor tenha cuidado de si mesmo para não cair nos pecados que condena publicamente.

A edição do livro feita por James M. Houston foi essencial para termos em mãos um brilhante manual pastoral. O que seria desnecessário foi editado, ficando apenas as partes essenciais, visando apresentar um modelo de ministério e crescimento pessoal (pastor) e coletivo (igreja).

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