Vai a grande cidade de Nínive | Jonas 1.1-2

Introdução

Jonas é um livro conhecido e apreciado em razão dos acontecimentos surpreendentes e que relata. Talvez você já conheça a história desde que era criança ou já tenha ouvido alguém falando do grande drama de um homem sendo engolido por uma ‘baleia’; embora o livro em nenhum lugar menciona qual a espécie de peixe, mas se deduz que seja por ser o maior mamífero marinho.

Outra coisa importante para se conhecer é o personagem principal do livro. Embora o livro relate a trajetória de Jonas do início ao fim, o propósito central do livro não é falar dele, mas sim de Deus. O livro inicia e termina com Deus falando e agindo o tempo todo. É por meio da experiência de Jonas que o Criador todo-poderoso revela que, apesar de ser o Deus que derrama sua ira sobre os perversos, também é aquele que, de bom grado, derrama misericórdia sobre quem se arrepende, inclusive sobre os que não hesitamos em considerar fora do alcance da misericórdia dele.

O tema principal do livro não é a desobediência de Jonas, embora ela seja plenamente combatida, mas a misericórdia de Deus. É Deus que demonstra do início ao fim do livro a sua misericórdia, até mesmo sobre pecadores perversos como os ninivitas e um profeta sem amor e completamente irado.

Elucidação

LOPES (2008, pág. 11) diz que Jonas foi o mais estranho de todos os profetas. Sua mensagem produziu efeitos até naqueles que não o ouviram diretamente. No entanto, nenhum profeta foi tão bem-sucedido. Nem mesmo Jesus, pois muitos se opuseram à sua pregação.

Jonas foi um profeta em Israel, o reino do norte, durante o reinado próspero materialmente, mas espiritualmente sombrio, de Jeroboão II (793-753 a.C). Nós lemos sobre este mesmo Jonas em 2 Reis 14.25, onde descobrimos que ele era de Gate-Hefer na Galiléia, uma cidade que pertencia à tribo de Zebulom, em um canto remoto da terra de Israel. Jesus não foi o único profeta de Deus que pregou na Galiléia, mas foi o único profeta que Deus enviou para pregar a outro povo no Antigo Testamento.

Nínive era a capital da Assíria, inimiga de Israel, uma grande e poderosa cidade; no entanto, uma cidade gentílica, sem o conhecimento e a adoração ao Deus verdadeiro. Sua população era pagã em sua adoração e promiscua em suas festas; além de ser perversa com seus inimigos capturados em suas batalhas.

Existem pelo menos três razões principais para se estudar o livro de Jonas:

  1. Porque ele revela muita coisa a respeito de Deus – o grande protagonista do livro não é o profeta Jonas, mas sim Deus, que aparece em praticamente cada versículo – agindo, interagindo, sendo paciente, perguntando, respondendo, salvando e assim por diante;
  2. Porque ele é citado por Jesus duas vezes – Jesus citou várias passagens do Antigo Testamento, mas suas citações em relação ao profeta Jonas têm ligações diretas com a sua missão e o que ele iria passar. Jesus se refere a história de Jonas e ao fato marcante de o profeta ter passado três dias e três noite dentro do grande peixe como um tipo ou figura de seu ministério, bem como de sua morte, sepultamento e ressurreição.
  3. Porque ele revela a importância da pregação do evangelho ao mundo – Deus não derramou sua ira sobre os ninivitas sem antes lhes dar a chance de se arrependerem de seus pecados. Deus envia uma profeta à Nínive, assim como nos envia ao mundo: para pregar o seu evangelho.

Nestes versos que lemos, encontramos algumas coisas importantes que precisam serem destacadas. Vejamos:

Esboço do texto

i. A maneira regular de Deus salvar e se relacionar com seu povo – Jn 1.1.

Deus sempre falou, desde na criação de tudo, até na punição e salvação do homem em pecado;

Deus não tem compromisso com as trevas, sua relação é sempre por meio da luz – com isso quero dizer que o método de Deus salvar os perdidos não é pelos recursos dos mesmos, mas do próprio Deus – Sl 119.105, Jo 1.1-4;

É por essa razão que Jonas é convocado – por ser um profeta em Israel, ninguém melhor do que ele para falar do Ser de Deus e sua obra.

ii. A maneira regular de Deus enviar seus profetas – Jn 1.2a.

Há pelo menos três palavras que definem bem a maneira regular de Deus enviar seus profetas a cumprir a missão de pregar o evangelho ao mundo. Vejamos:

  1. Vocação

A primeira palavra que precisamos observar é a vocação de Deus ao homem que também é chamado por ele. Vocação tem a ver com a missão que recebemos da parte de Deus. Essa vocação deve servir aos propósitos de Deus: Jonas foi enviado a Nínive porque foi vocacionado para ser um porta-voz de Deus aos homens.

2. Disposição

A segunda palavra importante a se observar é a disposição que Deus espera de seus vocacionados para realizar a obra missionária. A palavra “Dispõe-te” significa: levantar-se/pôr-se de pé. Deus espera prontidão para os que são chamados a servir de maneira específica no reino de Deus. Não há lugar para preguiça ou indisposição para cumprir a missão.

3. Ide

 A terceira palavra que precisa ser destacada no texto é “vai”, que significa: ‘ir, andar, vir, partir, prosseguir, mover, ir embora’. Jonas, que é chamado e vocacionado por Deus, precisava se levantar e ir até a cidade de Nínive. Sua missão envolvia ter que sair do lugar e ir a outro.

iii. A maneira regular de Deus expor a sua misericórdia – Jn 1.2b.

A missão de Jonas envolvia – além da vocação, disposição e ir até Nínive – “…clamar contra ela…”. Isto significa dizer que nem sempre a mensagem do profeta é a favor dos ouvintes. Para falar a verdade, enquanto pecadores debaixo da ira de Deus, a mensagem vinda da parte dele a nós é sempre revelam aspectos de juízo merecido e graça, que é o favor imerecido.

Enquanto muitos pensam e imaginam um Deus apenas de amor e que concede vitórias aos homens, a Palavra do Senhor revela um juiz irado e que manifesta seu poder contra seus opositores. A mensagem que Jonas recebeu para pregar à Nínive é contra toda malícia e perversão dos ninivitas.

Na parte do texto que diz “…porque a sua malícia subiu até mim”, encontramos alguns aspectos reveladores de Deus que precisamos assimilar bem. Vejamos:

  1. Deus conhece tudo e todos;
  2. Deus tem um nível de tolerância quanto ao mal entre os homens;
  3. Deus tem um nível de misericórdia quanto à sua santidade e natureza;

Portanto, sempre que o evangelho é pregado aos homens, Deus expõe a sua misericórdia de maneira regular. Sempre que a mensagem de arrependimento e salvação e pregada pelos profetas enviados por Deus, a graça a misericórdia estão presentes, antecipando o Grande e terrível dia do Senhor, quando já não haverá mais oportunidades para tal.

Veja o que diz o profeta Joel:

11 O SENHOR levanta a voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque é poderoso quem executa as suas ordens; sim, grande é o Dia do SENHOR e mui terrível! Quem o poderá suportar? 12 Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. 13 Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal – Jl 2.11-13.

Da mesma maneira o profeta Malaquias transmite sua mensagem:

5 Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR; 6 ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição – Ml 4.5-6.

Aplicação

Podemos aplicar essa mensagem à nossa vida da seguinte maneira.

  1. Você que está ouvindo esse tipo de evangelho a primeira vez, saiba que Deus o trouxe aqui para que a sua graça e misericórdia o alcance, antes que sua ira se manifeste neste mundo. Por causa do seu e do meu pecado, merecemos a justa punição de Deus – “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos” – Ef 2.4-5;
  2. Você que já ouviu antes essa mesma mensagem, vale lembrar do caminho em que devemos andar. Aqueles que estão em Cristo devem não apenas desfrutar da salvação que ele oferece, mas também de sua vida em santidade. Não adianta nada saber que foi salvo e não viver em novidade de vida; na verdade, que não anda no Espírito de Deus é sinal de que não foi salvo – o aposto João diz “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” – 1Jo 2.6;
  3. Como igreja nos lembremos da missão que recebemos de anunciar o verdadeiro evangelho a toda a criatura – Mc 16.15; é desta maneira que também demonstraremos a compaixão de Deus pelo seu povo; e, assim, também expressaremos compaixão pelos perdidos; afinal de contas: “…Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! […] E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” – Rm 10.13-15, 17.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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