Capítulo 1: A revelação de Deus | Estudos na CFW (1643-1649)

  • CAPÍTULO 1: Da Escritura Sagrada – parte I

A revelação de Deus

Introdução

João Calvino (2019, p. 9) falando sobre as Escrituras disse que “…nosso saber não deve ser outra coisa senão abraçar com branda docilidade, e certamente sem restrição, tudo quanto foi ensinado nas Sagradas Escrituras”. Para Calvino, tudo o que precisamos saber e o que precisa ocupar a nossa mente estão disponíveis nas Escrituras.

Desta forma, podemos nos lembrar do que Paulo também disse aos colossenses sobre este mesmo tópico, quando diz: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3.2 [ARA]). O que Paulo está dizendo é que devemos ocupar a nossa mente com as coisas concernentes a nossa nova vida em Cristo Jesus. Isto não significa que nosso viver vai se voltar apenas para os assuntos relacionados a igreja, mas que tudo o que nos propormos a fazer e viver estará sujeito ao que esta nova vida em Cristo nos permite ser e fazer; e as Escrituras Sagradas nos ajudam neste ponto, pois elas são o nosso manual de fé e pratica.

No contexto atual em que vivemos se faz necessário termos uma confessionalidade bíblica e reformada, tendo em vista a pluralidade de ideias – até dentro das igrejas­ – sobre assuntos que envolvem a criação de filhos, casamento, sexualidade; questões éticas como o aborto, suicídio, homossexualismo e outro.

O capítulo primeiro da CFW diz:

SEÇÃO I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.

Sl 19:1-3; Rm 1:19-20; Rm 1:32; Rm 2:1; Rm 2:14-15; 1 Co 1:21; 1 Co 2:13-14; Hb 1:1; Pv 22:19-21; Is 8:19-20; Mt 4:4,7,10; Lc 1:3-4; Rm 15:4; 2 Tm 3:15; 2 Pe 1:19; Hb 1:1-2.

i. Revelação

A CFW começa com o ponto principal e oriundo de toda a teologia que é a Revelação da Palavra de Deus por meio das Escrituras Sagradas. Enquanto muitos partem do ponto sobre o Ser de Deus e seus atributos, a CFW tem como premissa a base de todo esse conhecimento sobre Deus e suas obras as Escrituras Sagradas, pois é por meio dela que recebemos tal conhecimento acerca de Deus e sua obra – Dt 29.29.

Porém, a CFW destaca duas verdades a respeito da aplicação desta revelação, que são: Revelação geral e Revelação especial de Deus. Vejamos:

ii. Revelação geral de Deus

A primeira parte deste primeiro ponto da CFW fala da manifestação de Deus de maneira geral, dentro da natureza. A CFW diz: “…a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus…”. Portanto, é possível para o homem ter um conhecimento básico a respeito de Deus apenas olhando e contemplando a natureza – Sl 19.1-4; Rm 1.19-20.

Entretanto, essa revelação elementar de Deus, à luz da natureza, não é suficiente para que o homem tenha um envolvimento relacional com Deus e ser redimido por ele. A própria CFW também diz que este conhecimento “…não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação…”; com isso, “…os homens ficam inescusáveis…” – Rm 1.20b-21.

O homem pode até chegar à conclusão de que Deus existe e que tudo ao nosso redor só poderia vir de um ser superior, com uma mente superior e capacidade criativa superior. Mas esse conhecimento não o levará a contemplar a Deus plenamente, nem compreender a Sua obra e o propósito da vida, porque encontra-se cego espiritualmente – Jo 3.1-3. Essa cegueira espiritual do homem é parte do juízo de Deus em consequência de seu pecado – Dt 28.28. É por essa razão que a revelação geral de Deus não é suficiente para a salvação deste homem; sendo necessária uma revelação especial da parte de Deus. Vejamos:

iii. Revelação especial

A CFW continua dizendo “…por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade…” – Hb 1.1; 1Co 2.13-14, essa vontade diz respeito ao plano de Deus de alcançar o homem caído, redimindo-o de seu pecado, restaurando-o de sua condição e habilitando-o a conhecer o seu Criador por meio de Cristo, nas Escrituras.

Desta forma, todos os outros meios de Deus revelar a sua vontade foram cessados, sendo possível apenas conhecer o que já revelou por meio de seu Filho e registrado nas Escrituras – Jo 1.1; Hb 1.2; 1Co 1.21.

A CFW, falando da preservação desta vontade revelada de maneira especial, com o fim de que ela fosse propagada em gerações futuras e usada pela igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, ela diz “…foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo” – Rm 15.4; Lc 1.3-4; Hb 1.2.

Conclusão

Desta maneira, conforme a CFW declara, só podemos ter um conhecimento acerca de quem é de Deus e conhecer a sua vontade por meio das Escrituras. Elas nos revelam o salvador e a obra redentiva de Deus. A CFW nos ajudam a sistematizar essa verdade de maneira tal que possamos melhor apresentar nossa cosmovisão de Deus e do homem.

O que é declarado pela CFW não tem como base a particular elucidação de um grupo de homens, mas as Escrituras Sagradas, pois elas são o fundamento de nossa fé e a nossa regra de prática cristã.

Bibliografia

  • Guimarães, José Antônio Lucas. Confissão de Fé de Westminster: Edição com reflexões de João Calvino. São Paulo, SP. Edição do Kindle, 2019.
  • de Westminster, Assembleia. Confissão de Fé de Westminster, Londres, 1643-1649. Edição do Kindle.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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