Os sofrimentos do pastor

“pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós […] Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” 1Pe 5.2a, 4 [ARA].

Introdução

A vida de um pastor não é nada fácil, como alguns pensam e até almejam. O pastor é aquele vocacionado por Deus para cuidar do rebanho, pregando a boa semente da Palavra de Deus, mas que muitas vezes é esquecido pelo próprio rebanho. Ele é vocacionado e preparado para as labutas do ministério e ao mesmo tempo é surpreendido com o que encontra ao longo da caminhada ministerial.

Certa vez li um livro editado por Collin Hansen e Jeff Robinson, publicado pela editora Vida Nova, intitulado como: “15 Coisas que o seminário não pôde me ensinar”; e um de seus artigos me chamou a atenção, e fala sobre Como pastorear minha congregação em períodos de sofrimento – de John Onwuchekwa, e percebi que até isso um pastor também é vocacionado para lidar, como em tempos como esse que vivemos, de pandemia.

Mas, a minha grande descoberta é que grande parte destes períodos de sofrimento o pastor passa sozinho; não sem o auxílio e amparo de Deus, pois este nunca nos abandona; mas, em relação ao rebanho e demais colegas de ministério e até aqueles “amigos”.

A realidade do ministério pastoral

Um renomado escritor e pastor Batista no Kentuchy, Brian Croft, fez uma pesquisa sobre o ministério pastoral que resultou em alguns artigos e um livro publicado pela Editora Fiel. Um de seus artigos tem como título o seguinte: Por que o ministério pastoral é uma atividade tão arriscada?[1] E ele chegou a alguns números preocupantes que mostram o risco para aqueles que “põem as mãos no arado” desse trabalho nobre, mas custoso:

  • 70% lutam constantemente com a própria depressão.
  • 50% sentem-se tão desencorajados que deixariam o ministério se pudessem.
  • 50% dos pastores não estarão mais no ministério em cinco anos.
  • 80% acreditam que seu ministério pastoral prejudica suas famílias.
  • 80% das esposas dos Ministros sentem-se excluídas e pouco valorizadas.
  • 70% não tem alguém que considere um amigo próximo.
  • 90% dizem que não receberam treinamento adequado para atender às demandas do ministério.
  • 85% nunca “tiraram” um período sabático (44% não tem folga semanal).
  • 80% não estarão mais no ministério em dez anos.

Esses índices, embora alarmantes, apenas revelam uma realidade na vida de todo pastor: que o ministério pastoral também envolve o sofrimento, embora não se resuma apenas a isso. Quem dera que pudéssemos ser alertados sobre esses temas críticos no início de nossa jornada, muito antes do seminário. Quem dera pudéssemos ter uma ‘receita pronta’ de como encarar esses desafios de maneira prática e consoladora; porém, percebemos que por mais que tenhamos muita literatura escrita por bons pastores retratando as suas experiências ao longo do ministério pastoral, ainda assim perceberemos que cada um tem as suas próprias experiências e que elas devem serem experimentadas por cada pastor, mesmo que tenha sido ensinado sobre elas.

Outro material de grande ajuda no ministério pastoral, é livro do Rev. Hernandes Dias Lopes: “De pastor a pastor”. O autor também escreve um capítulo do livro falando sobre “Os sofrimentos do pastor”; e diz:

O céu não é aqui. Aqui não pisamos tapetes aveludados nem caminhamos em ruas de ouro, mas cruzamos vales de lágrimas. Aqui não recebemos galardões, mas bebemos o cálice da dor […] Os sofrimentos da lida pastoral são variados […e] nosso sofrimento não é sinal de que estamos longe de Deus nem de que estamos fora da sua vontade […pois] não há pastorado sem luta e não há ministério indolor[2].

Mais uma vez somos consolados sobre os bastidores do ministério pastoral que necessariamente precisamos encarar de maneira realista e corajosa.

As razões do ‘por que’ escrevo estas coisas

Não escrevo sobre essas coisas para trazer desanimo e desestimular o amado e querido pastor quanto as suas convicções de ministério – pois tenho certeza de que ele já teve provas suficientes de que foi chamado e vocacionado por Deus para tal missão. Também não escrevo para levá-lo a desistir desta igreja ou até do ministério – porque também tenho plena certeza que o amado pastor estar em família e é amado por este rebanho. Não tenho a pretensão de ensinar nada ao querido pastor – até porque também sou sua ovelha e aluno na escola do discipulado cristão; tenho aprendido muito ao lado dele e creio que há muito o que aprender.

Mas, escrevo para dizer que embora essa realidade no ministério e na vida pastoral, como disse o apóstolo Pedro, pastorear o rebanho de Deus espontaneamente e de boa vontade é cumprir a vontade de Deus; e cumprir a vontade de Deus é a única coisa que deve alegrar nosso coração diante deste quadro.

O bom salário, o cargo que ocupamos, as ambições que alimentamos no ministério e nosso nome nos muitos livros escritos, não devem ser o motivo de nossa maior alegria no ministério, mas cumprir a vontade de Deus. Pedro diz que não apenas é “…testemunha dos sofrimentos de Cristo…”, mas também “…coparticipante da glória que há de ser revelada”.

Ele também diz que o Supremo Pastor um dia virá e se manifestará diante dos seus; neste dia, então, prestaremos contas sobre o cumprimento da missão que recebemos do Senhor: se pastoreamos o rebanho do Senhor de boa vontade e disposição tornando-nos um modelo a ser seguido, como Deus quer, ou o fizemos por sórdida ganância e como dominadores dos que nos foram confiados.

Se estamos cumprindo o ministério pastoral como Deus quer – e tenho plena certeza de que o querido pastor Dorisvan tem caminhado nesta direção, então receberemos a “…imarcescível coroa da vida”, ou seja, uma incorruptível, imperecível e indolor coroa de glória eterna.

Tudo isso porque o Supremo Pastor já suportou a mais terrível coroa de espinhos, não de glória, mas de vergonha e dor; não de honra, mas símbolo da corrupção e pecado do homem; não eterna, mas dolosa e perecível. Ele suportou tudo isso por pessoas como eu e você, amado pastor, para que as nossas culpas fossem perdoadas; e a prova de que houve sucesso na missão foi a sua ressurreição e ascensão aos céus, assentado à destra de Deus.

Conclusão

Que neste dia em especial e todos os outros que o Supremo Pastor lhes conceder aqui na terra, lembre-se do que Ele foi capaz de fazer pelos seus e do alto preço que pagou para que tivéssemos o perdão de nossos pecados e recebêssemos a vida eterna.

Em dias de dor e sofrimento, lembre-se daquele que suportou a vergonha da cruz para que Deus redimisse o seu povo; lembre-se que a cruz e o túmulo estão vazios; lembre-se que Ele está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos; lembre-se que neste dia Ele “…lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” – Ap 21.4; então neste dia, “…recebereis a imarcescível coroa da glória”.

Portanto, cumpra a missão que recebeste do Senhor com alegria e pastoreai o rebanho de Deus, como Deus quer; e então descobrirás a verdadeira alegria que esta igreja demonstra a você, não apenas por seu aniversário, mas por serem guiadas por um bom e dedicado pastor que também é guiado pelo Supremo Pastor.

Parabéns e que Deus o abençoe ricamente em Cristo Jesus!

Texto escrito em razão do aniversário do Rev.: Dorisvan Cunha (IPB de Parauapebas, Pa.), no dia 22 de abril de 2021, em comemoração aos 39 anos de vida.

Bibliografia
  • Croft, B. (13 de fevereiro de 2019). Por que o ministério pastoral é uma atividade tão arriscada? Fonte: Voltemos ao Evangelho: https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/02/por-que-o-ministerio-pastoral-e-uma-atividade-tao-arriscada/
  • Lopes, H. D. (2008). Os sofrimentos do pastor. Em H. D. Lopes, De Pastor a Pastor (pp. 109-118). São Paulo, SP: Hagnos.
  • Onwuchekwa, J. (2015). Como pastorear minha congregação em períodos de sofrimento. Em C. Hansen, & J. Robinson, 15 coisas que o seminário não pôde me ensinar (pp. 1165-1314). São Paulo, SP: Vida Nova.

Notas

[1] https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/02/por-que-o-ministerio-pastoral-e-uma-atividade-tao-arriscada/

[2] LOPES, 2008, p. 109-110

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

bombasonica

busque evolução e se liberte!

RACHEL SHEHERAZADE

Sermões | Artigos | Devocionais

Consciência Cristã

Sermões | Artigos | Devocionais

O Tempora, O Mores

Sermões | Artigos | Devocionais

Voltemos Ao Evangelho

um site cristão por Cristo e pelo Evangelho

jonasmadureiradotcom.wordpress.com/

"Quebre os grilhões da cela, mas não se assuste se o prisioneiro não sair, talvez a cela seja absurdamente confortável."

Renato Vargens

Sermões | Artigos | Devocionais

%d blogueiros gostam disto: