A morte não é o fim | Salmo 23.4

Ao termos acesso aos jornais, somos bombardeados pelas notícias tristes das inúmeras mortes causadas pela Covid-19 e os jornais fazem questão de enfatizar nos números. Hoje pela manhã vi no noticiário que o Brasil atingiu o maior número de mortos diário, desde o início da pandemia: mais de quatro mil mortos. É lamentável e preocupante esse tipo de realidade, mas é o que está acontecendo no mundo todo. Estamos sujeitos aos mesmos efeitos da pandemia – apesar de muitos conseguirem se recuperarem e sobreviverem, pela graça de Deus.

Muitos, com medo do contágio do vírus, evitam sair de casa para qualquer coisa; outros, pela necessidade do trabalho, acabam arriscando suas vidas todos os dias. Mas, todos estamos vivendo o mesmo contexto, porém, alguns com mais medo e outros menos. O quadro geral que estamos vivendo nos faz pensar sobre a nossa realidade. E a pergunta que fica é se nós, que pertencemos a Deus, também devemos temer a morte?

A Bíblia ensina que a morte é resultado do pecado, provindo de algo mal e corrupto causado pelo homem (Gn 2.17; Rm 5.12-14). A morte é tão errada que Paulo diz: “O último inimigo a ser destruído é a morte” – 1Co 15.26. Porém, para o crente, a morte não é o fim, mas o meio. A morte não é algo para o qual nós vamos, mas algo pelo qual nós passamos. Não é assim que pensamos normalmente a respeito da morte em geral, mas de acordo com Davi, a morte é o meio e o que vem depois é glorioso – Sl 23.4, 6. Ele diz isso por uma razão: porque a Bíblia nos garante essa verdade!

A Bíblia nos ensina muitas coisas a respeito desde assunto, alguns deles trataremos aqui. Vejamos:

i. A Bíblia reconhece a realidade da morte – Gn 3.19.

Os cristãos devem reconhecer a realidade da morte; é danoso não a reconhecer, pela simples razão de que é tolice viver como se não fossemos morrer um dia. Ela é real, dolosa, insuperável e necessária. Portanto, como cristãos, reconhecemos a realidade da morte.

Apesar de tudo, a morte é derrotada em Cristo e ele prometeu estar conosco ao passarmos por ela – Mt 28.20b. Há passagens nas Escrituras que nos dão consolo neste sentido, como: Sl 116.15; Sl 23.4; 1Co 15.55-57.

ii. A Bíblia ensina que a morte é para todos, e acontece uma única vez – Hb 9.27

A Confissão de Fé de Westminster, em seu capítulo XXXII seção I, diz o seguinte:

Os corpos dos homens, depois da morte, convertem-se em pó e vêm a corrupção; mas as suas almas (que nem morrem nem dormem), tendo uma substância imortal, voltam imediatamente para Deus que as deu. As almas dos justos, sendo então aperfeiçoadas na santidade, são recebidas no mais alto dos céus onde vêm a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção dos seus corpos; e as almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde ficarão, em tormentos e em trevas espessas, reservadas para o juízo do grande dia final. Além destes dois lugares destinados às almas separadas de seus respectivos corpos as Escrituras não reconhecem nenhum outro lugar[1].

Portanto, três coisas nos é dito neste artigo:

  1. O ‘corpo’ é que morre; e não a alma – Gn 3.19; Ec 12.7
  2. As almas dos justos são recebidas no céu; já a dos ímpios, no inferno – Lc 23.43; Fp 1.23; 2Co 5.1, 6, 8.
  3. Após o grande dia final, os corpos serão ressuscitados – Jó 19.26-27; 1Co 15.42-44, 51-52;

Não somente os crentes em Cristo podem confiar que a morte levará seus espíritos imediatamente à presença da glória de Cristo, mas eles podem contar com a futura ressurreição de seus corpos. A ressurreição do corpo é uma parte necessária e gloriosa do evangelho. A ressurreição de Cristo começa no crente no momento da conversão e conclui em seu retorno na gloriosa restauração de nossos corpos que morreram.

iii. A Bíblia também ensina sobre o juízo final – Mt 25.31-32

Deveríamos notar que todos serão ressuscitados, não apenas os crentes. Descrentes também serão ressuscitados para uma existência eterna. Para os crentes, essa existência será a vida eterna, mas para os descrentes, a ressurreição é para a morte eterna. Essa ressurreição de todas as pessoas ocorrerá imediatamente depois da segunda vinda de Cristo – João 5.28; 1Ts 4.15-18.

A Confissão de Fé de Westminster, em seu capítulo XXXII seção II e III, diz o seguinte:

No último dia, os que estiverem vivos não morrerão, mas serão mudados; todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos e não outros, posto que com qualidades diferentes, e ficarão reunidos às suas almas para sempre. Os corpos dos injustos serão pelo poder de Cristo ressuscitados para a desonra, os corpos dos justos serão pelo seu Espírito ressuscitados para a honra e para serem semelhantes ao próprio corpo glorioso dele[2].

Na ressurreição que toma lugar no retorno de Cristo, todos os que estão nele terão seus corpos ressurretos unidos a suas almas, antes de serem glorificados – 1Co 15.42-46; nossos mesmos corpos serão ressuscitados, não outros.

Ainda sobre esse ponto, a CFW em seu artigo XXXIII seção I, destaca o seguinte:

Deus já determinou um dia em que, segundo a justiça, há de julgar o mundo por Jesus Cristo, a quem foram pelo Pai entregues o poder e o juízo. Nesse dia não somente serão julgados os anjos apóstatas, mas também todas as pessoas que tiverem vivido sobre a terra comparecerão ante o tribunal de Cristo, a fim de darem conta dos seus pensamentos, palavras e obras, e receberem o galardão segundo o que tiverem feito, bom ou mau, estando no corpo[3].

Portanto, neste julgamento final haverá a justa justiça de Deus sendo aplicada, ao expor a vida dos crentes em Jesus e dos incrédulos. Os que viveram a vida de Cristo enquanto estiveram vivos, serão julgados de acordo com a justa justiça de Cristo, que lhes é imputada pela fé; é por essa razão que não temos nada a temer – Rm 8.1, 31-39. Mas, aos incrédulos, está reservado um julgamento conforme as suas próprias obras – Ap 20.12. De acordo com a Bíblia, as obras daqueles que rejeitaram a Cristo serão expostas e punidos com julgamento eterno – Ap 20.15.

Conclusão

Como crentes em Jesus, não devemos temer a morte, nem a provocar, pois fazendo isso estaríamos quebrando o sexto mandamento“Não matarás” (Êx 20.13); mas, devemos suportar os sofrimentos do tempo presente na certeza de que eles contribuem para o nosso aperfeiçoamento e para que não venhamos nos apegar a este mundo caído.

Como salvos em Cristo, devemos confiar em sua obra graciosa, nos mantermos em santificação na certeza de que, assim como ele ressuscitou dos mortos, nós também seremos – para a glória de Deus, e nos preparar para o grande dia em que nos reuniremos a Ele para todo o sempre!

Aplicação

O desejo do nosso coração é poder viver a mesma fé do salmista Davi, quando diz: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” – Sl 23.4. E o que nos garante esse consolo percebido pelo salmista é próprio Cristo Jesus. Foi ele quem venceu a morte, com a sua morte. Foi ele que pagou o mais alto preço do pecado, com o seu corpo, em sofrimento, dor e morte. Foi ele que assumiu o nosso lugar, como aquele Rei de amor que se sacrifica pelos seus. Foi ele que, em obediência e submissão a Deus, deu a sua vida por aqueles que estavam mortos em seus delitos e pecados.

É em Cristo que encontramos a segurança necessária em tempos em que a sombra da morte nos assola e inquieta nosso coração. Pois Ele é o “…socorro bem presenta nas tribulações” – Sl 46.1b. Foi isso que Ele disse aos seus discípulos: “…No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” – Jo 16.33b; “…E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” – Mt 28.20b. É a presença constante de nosso Senhor – vitorioso, cheio de poder e autoridade – em nossa vida que podemos descansar diante das constantes aflições que passamos neste mundo; e uma delas é a própria morte – seja a nossa ou de quem amamos.

Nos lembremos também que foi Ele, como diz o apóstolo Paulo aos Coríntios, que “…ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos”; portanto, “…assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo” – 1Co 15.20-22.

A realidade da morte está presente na vida do homem por conta de seu pecado; mas, a vida também está disponível a ele por causa da morte e ressurreição de Cristo. Ou seja, pelos pecados cometidos por um homem, todos morreram. Mas pela obediência de Cristo, com sua morte e ressurreição, há vida aos que creem, sendo Ele as primícias dos que dormem.

Quando passares pelo vale da sombra da morte lembre-se do que o salmista também diz: “…Tu estás comigo…”. Isso consola nosso coração, pois Ele é o triunfo final do crente. Estar em sua presença de maneira definitiva e gloriosa é a esperança de todo aquele que nele crer. O paraíso terá pastos verdejantes não apenas porque foi restaurado pelo Senhor, mas também porque Ele estará lá eternamente – e nós com Ele. Desfrutaremos juntos, como um único povo diante do único Deus e Senhor, celebrando a vida eterna na presença daquele que é eterno e imortal – e nós com Ele.

Enquanto estamos nesta vida, limitada e repleta de dor e sofrimento, que possamos nos preparar para a morte final, em Cristo. Esse último obstáculo que enfrentaremos deve ser encarado como que o cajado e a vara de nosso Senhor nos consolando e guiando nossas vidas na direção correta a seguir.

Assim como o cajado e a vara na mão do pastor de ovelhas servia para trazer de volta as fugitivas, proteger o rebanho das feras ou para mantê-las na direção correta, assim também, enquanto padecemos neste mundo e perseveramos na vida cristã, o Espírito de Deus nos guia e nos ajuda a mantermos “…firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é vão” – 1Co 15.58 [NAA]. Todo esforço e trabalho pela causa do evangelho, nossa santificação e perseverança – inclusive nossa morte, no Senhor não é vão. Amém!


[1] de Westminster, Assembleia. Confissão de Fé de Westminster . Edição do Kindle.

[2] de Westminster, Assembleia. Confissão de Fé de Westminster . Edição do Kindle.

[3] de Westminster, Assembleia. Confissão de Fé de Westminster . Edição do Kindle.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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