Fé Reformada | O que é uma igreja reformada? | Parte I

Introdução

Em nosso último encontro estudamos sobre o tema “o que é um reformado de verdade”, e trabalhos o sentido legítimo do que significa ser reformado de verdade e suas aplicações. Concluímos nosso estudo dizendo que:  

O verdadeiro cristão reformado abraça o propósito eterno do Deus soberano ao viver para a sua glória. Ele tem uma mente focada na majestade de Deus. Tem um espírito que lamenta o fato de o pecado existir no mundo. Tem um coração que é cheio de gratidão pela graça de Deus; e tem uma vontade que se submete ao seu santo propósito. Em outras palavras, o verdadeiro cristão reformado é uma pessoa cuja vida, como um todo, é dedicada para a glória de Deus. Ele não apenas reconhece a glória de Deus, mas também é zeloso em promovê-la.

Agora, estudaremos a maneira como uma igreja se qualifica como reformada, pois, não apenas os membros dessa igreja precisam ter uma mente centrada em Deus, mas também toda a estrutura eclesiástica da igreja e sua cosmovisão precisam serem reformados. É quase que impossível dizer que os membros seguem uma cosmovisão reformada de mundo e de si mesmo, mas a igreja como um todo não segue a mesma linha. Ou, o contrário também é quase que impossível de coexistir.

É natural que a igreja e seus membros caminhem juntos naquilo que creem e organizem toda sua estrutura eclesiástica e doutrinaria em torno desta perspectiva. Caso contrário, teremos uma igreja sem identidade confessional, com membros sem uma cosmovisão saudável e, então, o caos estará instalado na igreja do Senhor.

Portanto, é de extrema importância que também sejamos uma igreja com uma cosmovisão reformada, além de apenas seus membros e congregados. Somente quando nossa confissão de fé e nossa prática daquilo que defendemos como sendo verdadeiros, biblicamente falando, estiverem de mãos dadas e centradas em Deus, que viveremos e agiremos de maneira saudável e legítima na sociedade em que vivemos.

Não é estranho que mencionemos o grande reformador João Calvino em nosso estudo, até porque – conforme se vê na história da reforma protestante – ele teve maior influência.

Lutero não tinha a intenção de iniciar uma nova igreja quando pregou suas 95 teses no ano de 1517 na parede do Castelo de Wittenberg. O protesto de Lutero, porém, soou com autoridade, baseado em sua própria e profunda busca pela verdade. Suas convicções de que, para ser fiel ao Senhor, a igreja deveria estar baseada na autoridade absoluta das Escrituras apenas, causou alguns desconfortos a autoridades religiosas de seu tempo.

Essas convicções de Lutero, fizeram com tivesse que deixar a igreja de Roma em 1520 e um novo movimento estava a caminho, a partir de seus seguidores. Depois de alguns anos, infelizmente ocorreu uma divisão entre as novas igrejas associadas a Lutero (luteranos) e os grupos que trabalhavam na Reforma na Suíça e outras partes da Europa; é nesse exato momento que o eventual líder das igrejas Reformadas surge: o reformador francês João Calvino.

A influência de Calvino sobre os líderes da Reforma que iam surgindo foi enorme. Calvino, o principal professor da igreja de Genebra, influenciou muitos líderes da Reforma que iam surgindo. A doutrina que emanava de Genebra tinha enorme aceitação e jovens líderes zelosos e talentosos dirigia-se a Genebra para escapar da hostilidade contra os protestantes em seus países de origem.

Os que em Genebra, adquiriam conhecimento e zelo pela Palavra de Deus, finalmente retomavam para as suas casas como cuidadosos mestres da Palavra, ansiosos por verem seus compatriotas sob a verdadeira fé em Cristo e reformados em uma verdadeira igreja. Essas igrejas receberam diferentes nomes – presbiterianos na Escócia e na Irlanda; puritanos na Inglaterra; Igreja Reformada na Holanda, Alemanha, Suíça, Hungria e Polônia.

Uma igreja reformada tem suas convicções alicerçadas em alguns pilares importantes que os reformadores do século XVI abraçaram e modelaram suas convicções doutrinarias com base nesses pilares. Estudaremos cada um deles em partes, nos próximos encontros. Hoje, meditaremos sobre o primeiro pilar. Vejamos:

As Escrituras

A Confissão de fé de Westminster, em seu primeiro artigo, começa falando o seguinte:

Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna indispensável a Escritura Sagrada, e tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo[1].

É importante que notemos que ela não começa seus artigos/fundamentos de fé falando sobre o ser de Deus, mas por sua Palavra. Isso se dá porque só é possível conhecer a Deus mediante a Sua revelação. A Bíblia é o registro inspirado por Deus a homens santos, desta revelação.

Portanto, tudo o que sabemos de Deus, só o sabemos porque Ele antes, o revelou. Fez isso por meio do Espírito Santo ao inspirar homens santos para que registrassem essa revelação. Não existe outro meio de se conhecer a Deus e conhecer sua obra. As Escrituras Sagradas, do Antigo ao Novo Testamento (66 livros), descrevem toda a vontade de Deus ao mundo criado, ao homem de modo geral e a sua igreja.

O Rev. Paulo Anglada (2013, pág. 38) diz a seguinte questão:

Embora, tudo o que precisamos saber sobre Deus tenha sido revelado por ele e registrado por homens santos movidos pelo Espírito Santo – inspiração, Deus não revelou tudo sobre si. O que está a nossa disposição é o que precisamos para nossa edificação e cumprimento da vontade do Senhor; ou seja, o conhecimento de Deus e sobre Deus é muito maior do que recebemos – Dt 29.29, Sl 139.

Portanto, uma igreja reformada tem seus alicerces firmados na Palavra de Deus. Sendo assim, ela deve ser submissa as Escrituras como sua absoluta autoridade em todos os assuntos de fé e prática. Foi desta forma que os reformadores se posicionaram diante da usurpação dos papas em se colocarem como autoridade máxima da igreja.

Conclusão

Embora seja primariamente uma revelação de Deus e seu plano para trazer a salvação para a terra, a Bíblia toca, pelo menos em princípio, em todas as áreas da vida, servindo, portanto, como a principal fonte para se desenvolver uma cosmovisão e filosofia adequadas.

Sendo assim, partindo da convicção de que o conteúdo das Escrituras poderia ser compreendido e estudado, as igrejas reformadas estavam dispostas a afirmar esse conteúdo em credos e confissões. Entre os mais conhecidos estão o Catecismo de Heidelberg (1563) e a Confissão de fé de Westminster e seus Catecismos [Maior e Breve] (1646), adotados pelas igrejas presbiterianas.

Portanto, o ensino reformado sobre as Escrituras enfatiza que o “testemunho do Espírito Santo”, em vez de provas racionais, estabelece a autoridade das Escrituras. Isso significa finalmente a nossa submissão para com a Bíblia, porque o Espírito Santo dentro de nós dá testemunho dela como sendo um livro inspirado por ele.

Aplicação

  1. Uma igreja reformada tem como fonte única de fé e prática, as Escrituras Sagradas, por entender que se trata da revelação dada por Deus, recebida por inspiração e registrada por homens santos, movidos pelo Espírito Santo.
  2. Uma igreja reformada compreende que só podemos conhecer a Deus e sua vontade por meio das Escrituras, porque “…Pois o que se pode conhecer sobre Deus é manifesto […] porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19 [ALM21]).
  3. Uma igreja reformada submete todas as áreas do seu conhecimento as Escrituras Sagradas. Questões mais difíceis são respondidas a luz das Escrituras. Tudo o que precisamos para salvação, disciplina e nosso testemunho no mundo, é regido pela Palavra de Deus.

[1] de Westminster, Assembleia. Confissão de Fé de Westminster . Edição do Kindle.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

bombasonica

busque evolução e se liberte!

RACHEL SHEHERAZADE

Sermões | Artigos | Devocionais

Consciência Cristã

Sermões | Artigos | Devocionais

O Tempora, O Mores

Sermões | Artigos | Devocionais

Voltemos Ao Evangelho

um site cristão por Cristo e pelo Evangelho

jonasmadureiradotcom.wordpress.com/

"Quebre os grilhões da cela, mas não se assuste se o prisioneiro não sair, talvez a cela seja absurdamente confortável."

Renato Vargens

Sermões | Artigos | Devocionais

%d blogueiros gostam disto: