O Fruto do Espírito | #03 | A verdadeira paz

Introdução

Foi noticiado nas últimas semanas o lamentável caso de “João Alberto”, homem morto por excesso de força dos seguranças do supermercado Carrefour. Em primeiro momento, a imprensa com sua opinião ideológica, logo expôs em seus meios de comunicação de que um “homem negro é morto por dois seguranças brancos de um supermercado”[1]. Com essa notícia, muitos que se dizem “antirracistas” começaram ataques violentos que resultaram em vandalismos e depredação ao supermercado.

Mais tarde, depois de alguma apuração do caso pela polícia, percebeu-se que não houve um “ato de racismo” pelos seguranças do supermercado. Na verdade, houve sim, uma violenta e excessiva ação por parte dos seguranças, mas em reação as agressões que o cliente (João Alberto) estava dirigindo aos funcionários do supermercado.

O ponto que me chamou a atenção foi que, aqueles que se dizem “defensores das minorias” foram capazes de promoverem a desordem, depredação e o terror em favor de uma “suposta paz”. Para isso, destruíram e depredaram o supermercado, impediram funcionários de manterem seus empregos, deram prejuízos aos donos do supermercado e fizeram de tudo, menos promover a paz.

Infelizmente, assim também tem acontecido no meio cristãos. Alguns poucos, em nome de uma suposta paz, promovem desunião, intrigas e são capazes até de levantarem falso testemunho apenas para manterem o seu “bem estar” e sua “comunhão” mentirosa e pecaminosa.

O apóstolo Paulo, olhando para a pressa de muitos cristãos em seguir outro evangelho pregado por falsos profetas, ele os repreende para que se arrependam e vivam por meio do Espírito de Deus; a final de contas, se vivemos no Espírito, é natural que também devemos andar no Espírito.

“Andar no Espírito” significa fazer morrer as paixões carnais com suas obras e praticar o Fruto do Espírito como sinal de nossa regeneração em Cristo Jesus e de que crucificamos a carne com suas paixões e desejos (Gl 5.24; 1Pe 2.11). Portanto, aqueles que andam por meio do Espírito de Deus são promotores da verdadeira paz.

Israel Belo de Azevedo (2013, Edição do Kindle, p. 64), diz que “a paz é o desejo mais profundo do ser humano”; porém, por causa do pecado, praticamos – por natureza, uma paz egoísta, mentirosa e maliciosa. Portanto, precisamos do Espírito de Deus para vivermos e praticarmos a verdadeira paz, como também promovê-la no meio em que vivemos; ou seja, para nós que estamos em Cristo Jesus e andamos no Espírito, é imperativo que mantenhamos a paz uns com os outros, assim como a recebemos de Deus (Rm 5.1, Ef 2.13-14, Cl 1.20). Inclusive, somos ensinados pelo Novo Testamento a cumprimentarmos uns aos outros com esta mesma paz (Gl 1.3; 1Co 1.3; 1Pe 1.2).

Em oposição as obras da carne: inimizades, rixas, ciúmes, iras, discórdias, divisões e facções – que são frutos de uma vida aprisionada pelas paixões carnais, o apóstolo Paulo apresenta o Fruto do Espírito como a solução para o mal que o homem sem Deus abriga dentro de si.

Analisaremos algumas lições importantes sobre a verdadeira paz que precisamos. Vejamos:

i. Qual a natureza da paz?

Entre os gregos, ειρηνη eirene, que é a palavra que o apóstolo Paulo usa, era empregada para significar o estado ou a condição de ausência de guerra. Na verdade, para os gregos, a paz era um interlúdio entre as guerras.

Como os gregos, temos pensado na ‘paz’ como ausência de guerra, mas essa é uma visão limitada do conceito bíblico. O Novo Testamento parte do Antigo, que emprega o termo hebraico Shalom, que significa bem-estar. A ênfase recai sobre os aspectos concretos da vida, incluindo elementos como saúde e mesmo prosperidade.

No entanto, o Novo Testamento aprofunda o conceito para incluir a ideia da reconciliação, relacionada às experiências da salvação, da santificação e da harmonia entre as pessoas; ou seja, a mesma palavra traz uma abrangência na vida cristã como paz com Deus, paz de Deus e paz consigo mesmo e os semelhantes. Portanto, um cristão que quer seguir Jesus não apenas ama a paz, mas a promove (Mt 5.9). Por isso, o autor de Hebreus recomenda: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Uma leitura cuidadosa do Antigo e do Novo Testamento vai mostrar claramente que o projeto de Deus é trazer paz aos seres humanos (Jr 29.11; Jó 25.2; Sl 29.11).

ii. Qual o compromisso do cristão com a paz?

Ao sermos abençoados por Deus, podemos manter um relacionamento de paz com ele, mas apenas como dádiva (dom) de Jesus Cristo. Ao sermos por ele dirigidos, podemos buscar a paz com os seres humanos, mas apenas como fruto do Espírito Santo (Rm 14.17). A paz, portanto, tem a ver com a graça e é um claro valor do Reino de Deus.

Para isso, se faz necessário algumas atitudes importantes

  1. Devemos desejar a paz – Por que não há paz na Terra? Porque não damos ouvidos aos mandamentos de Deus e não nos envolvemos em seu projeto para o mundo. Isaías nos lembra dessa nossa falha, assim como o salmista (Is 48.18; Sl 119.165). A recomendação bíblica é que procuremos a paz e nos empenhemos por alcançá-la” (Sl 34.14; Zc 8.16).
  2. Devemos orar pela paz – Por reconhecermos que a verdadeira paz vem de Deus, devemos orar para que ele mande a sua paz para nós mesmos e para o mundo em que vivemos (Is 26.12; Jr 29.7).
  3. Devemos promover a paz – Jesus nos conclama a sermos promotores da paz como pacificadores (Mt 5.9), porque Ele é a nossa paz (Ef 2.13-14). O profeta Isaías lembra que o sobrenome de Jesus é Príncipe da Paz (Is 9.6) e o autor de Hebreus o chama de Rei da Paz (Hb 7.2). Nosso compromisso é apresentar aos homens esse Jesus Cristo reconciliador. Sem a ação desse reconciliador, não haverá reconciliação, não haverá paz; e, não viveremos o verdadeiro evangelho, mas outro que nem mesmo é evangelho (Is 52.7; Rm 10.15).
  4. Quando desfrutaremos de plena paz?

Em primeiro lugar, precisamos compreender que essa verdadeira paz já foi conquistada na cruz do Calvário por meio de Cristo Jesus. Em segundo lugar, ao invés de ficarmos como alguns que apenas admiram a distância, mas não são capazes de promovê-la, precisamos nos mover, por meio do Espírito de Deus.

A paz não é para se contemplar, mas para se fazer. Fazemos a paz quando anunciamos que ela é possível por intermédio de Jesus Cristo. Promover a paz é acolher o outro que ainda está em guerra consigo mesmo, com o mundo e com Deus, apresentando-lhe o caminho da paz que é Cristo.

Promover a paz é nos empenharmos pela harmonia em comunhão entre as pessoas. O que fazemos quando há confusão em casa, no colégio, no trabalho ou na igreja? Ajudamos a pôr fogo na confusão ou promovemos a união? Se promovemos a união, somos da paz, como Deus, que é apresentado como sendo de paz (1Ts 5.23) e não de confusão (1Co 14.33).

Aplicação

A paz não depende da fidelidade, da bondade ou pedido de perdão do outro, mas é uma graça dirigida de nós ao outro, porque já fomos alcançados por uma graça que não merecemos. No que depender de nós, devemos viver em paz com todas as pessoas (Rm 12.18).

Nós seremos bem-sucedidos quando a paz de Cristo for o nosso árbitro (Cl 3.15). Em outras palavras, seremos bem-sucedidos quando a graça for a regra pela qual nós julgamos os outros.

Não nos esqueçamos que a fonte da paz é Jesus Cristo e o seu vínculo é o Espírito Santo. Quando a graça nos alcançar completamente, seremos capacitados a nos sacrificar pela paz, concedendo ou pedindo perdão a alguém que ofendemos ou que nos ofendeu.

Conclusão

Se queremos viver em paz e por meio da paz, devemos fazer protestos contra o pecado. Se desejamos a paz de Deus para este mundo devemos, antes de tudo, viver essa paz em nossos relacionamentos com o próximo. Se oramos pela paz que excedem todo o entendimento, precisamos de Cristo Jesus, o Rei da paz (Hb 7.2). Se não sabemos praticar essa paz da maneira correta, então oremos ao Espírito de Deus que nos ajuda em nossas fraquezas. Portanto, os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com suas paixões e os seus desejos para viverem e andarem unicamente pelo Espírito de Deus.

Que possamos viver e promover a paz de Deus em todo o tempo e lugar. Amém!


[1] https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2020/11/4890130-homem-negro-e-espancado-e-morto-por-seguranca-e-pm-em-carrefour-de-porto-alegre.html

Referências
  • Azevedo, I. B. (2013). O fruto do Espírito: como deve ser a vida cristã. São Paulo, SP: Vida Nova.
  • Campos, H. C. (2012). O ser de Deus e o seus atributos. São Paulo, SP: Cultura Cristã.
  • Gomes, O. (2016). As obras da carne e o Fruto do Espírito. Rio de Janeiro, RJ: CPAD.
  • Packer, J. I. (2014). O conhecimento de Deus. São Paulo, SP: Cultura Cristã.
  • Pink, A. W. (2016). Os atributos de Deus. São Paulo, SP: PES: Publicações Evangélicas Selecionadas. Sociedade Bíblica do Brasil. (2018). Bíblia de Estudo NAA. Barueri, SP: SBB.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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