O Fruto do Espírito | #02 | A verdadeira alegria

Introdução

Vivemos num mundo que é incapaz de satisfazer nossa maior necessidade de vida – a verdadeira alegria. Nossa alma é espiritual; as coisas materiais não conseguem satisfazê-la. Nossa alma é incomum; as coisas comuns não conseguem satisfazê-la. Mas o que o mundo oferece? […] coisas materiais, passageiras e comuns. Ele oferece [aparelhos] com sons de pássaros, baleias, oceanos e chuva caindo. Oferece cadeiras vibratórias, máquinas de massagem, velas perfumadas e massageadores corporais. Oferece um monte de medicamentos, inúmeros aparelhos de ginástica e várias distrações tolas. Oferece esportes radicais, realidade virtual e reality show. Oferece entretenimento e mais entretenimento. Todas essas ofertas vêm acompanhadas de promessas de felicidade, mas o mundo não consegue cumprir suas promessas[1].

Thomas Watson observa: “Milhões de pessoas se enganam tanto sobre a essência da felicidade como sobre a maneira de alcançá-la”. Por quê? É que a confundem com coisas exteriores: possessões, experiências, realizações e relacionamentos. Mas eis o que as engana: a verdadeira alegria não é encontrada em condições e circunstâncias que sempre mudam, mas sim num Deus que nunca muda[2]

O apóstolo Paulo, escrevendo aos gálatas, faz sérias exortações quanto a pressa que aqueles crentes estavam em abandonar o evangelho que receberam com fidelidade; e, depois de exortar quanto ao verdadeiro evangelho que não escraviza, mas liberta, e ter mais uma vez lhes apresentado o evangelho que liberta, Paulo lhes fala das obras da carne – que são resultados do que eles realmente eram, sem Cristo, e do Fruto do Espírito como uma ação poderosa da parte de Deus na vida daquele que recebeu o verdadeiro evangelho.

Paulo diz que as obras da carne são resultado de uma vida pecaminosa totalmente pertencente a natureza humana. Mas, o fruto do Espírito é o oposto e que só é possível ser aplicado na vida daquele que, antes, o evangelho libertou. Por ser uma prerrogativa do Espírito, esse fruto só é perfeitamente aplicado com uma ação soberana da parte de Deus.

Portanto, esse fruto do Espírito está a nossa disposição para praticarmos, mas, a sua aplicação correta só será possível uma vez que compreendermos como ela funciona em sua fonte, ou seja, em Deus.

Como diz Israel Belo de Azevedo (Edição do Kindle, p. 8), “quando o apóstolo passa a recomendar como o cristão deve viver, ele usa a expressão fruto do Espírito no singular. [porque] Cada arvore só dá um tipo de fruto, segundo a sua espécie”.

Como é descrito na carta de Paulo aos gálatas, só há “um” Fruto do Espírito, embora ele tenha uma abrangência quando posto em prática na vida cristã. Ao mesmo tempo em que se percebe apenas um Fruto do Espírito, também é perceptível que ele é completo e sua aplicação correta depende única e exclusivamente do Espírito de Deus.

Também não há uma espécie de hierarquia entre as muitas áreas de abrangência do Fruto do Espírito. Por exemplo: o amor, por estar no topo da lista, não significa que seja mais importante que o domínio próprio e tão pouco o domínio próprio é inferior ao amor. Israel Belo de Azevedo (Edição do Kindle, p. 9), também diz essa verdade da seguinte maneira: “O domínio próprio não é menos valoroso porque vem por último. Ambos, como os demais, são faces do mesmo fruto”.

Portanto, falar de cada abrangência do Fruto do Espírito de modo aleatório (sem seguir uma ordem), não afetará o propósito da mensagem de Paulo aos Gálatas, muito menos tirar seu sentido e sua aplicação. Podemos falar da “alegria” do Espírito e em seguida falarmos do domínio próprio sem prejuízos à interpretação do texto porque, no final, a mensagem terá o mesmo significado e aplicação porque trata do mesmo Espírito e seu Fruto.

i. O que é a Alegria do Espírito?

Citando mais uma vez Israel Belo de Azevedo (Edição do Kindle, p. 9), ele diz o seguinte:

Na perspectiva bíblica, a alegria é um fruto do Espírito, isto é, não é uma virtude que possamos produzir, mas uma manifestação do Espírito Santo em nós. A nossa participação consiste em permitir que o Espírito Santo a inocule (introduza, enxerte) em nós e em cultivá-la por meio de uma vida de intimidade com o Espírito Santo.

Essa percepção bíblica da alegria como Fruto do Espírito é interessante quando compreendida como algo que o próprio Deus faz em nós por meio de Cristo Jesus, pois antes, estávamos perdidos e distantes da verdadeira alegria eterna e plena; estávamos tomados pela angústia e amargura que a vida em pecado produz.

O salmista Davi expressa essa verdade dizendo o seguinte: Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente (Salmos 16.11 [ARA]). Ou seja, essa plenitude de alegria só é possível em Deus, por meio de Cristo Jesus e na aplicação do Espírito Santo, pois ela é uma prerrogativa dele.

Até mesmo para fazer a obra de Deus precisamos da alegria do Espírito, pois não há possibilidade de se fazer a obra sem ter prazer. Todos aqueles que vivem dominados pela virtude da alegria fazem as coisas para Deus com prazer, inclusive servi-lo (Sl 100.1-2).

ii. Por que a alegria do Espírito é importante na vida cristã?

  • Porque ela descreve nosso novo viver em Cristo [1.3-5]
  • Porque ela descreve nossa liberdade cristã – não mais presos ao julgo da Lei [3.13-14, 5.18];
  • Porque ela nos ajuda a combater o pecado [5.21a] – “invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas…”;

Invejas – reação provocando por pessoas descontentes com o que receberam da parte de Deus, desejando, em vez disso, o que é dos outros. Nesse ponto, também podemos nos lembrar da quebra do décimo mandamento, sobre a cobiça (Êx 20.17);

Bebedices – No N. Testamento, o vinho era associado a alegrias e às celebrações, mas seu abuso era visto como algo altamente destrutivo.

Glutonarias – A palavra grega usada aqui é κωμος komos que está associada a orgias e bebedeiras. Comer além do limite tem o mesmo peso que beber além do controle. No tempo antigo, as pessoas – após comerem e beberem bastante num jantar – saíam pelas ruas fazendo todo tipo de badernas e orgias;

Porque ela nos mantém convictos de que em Cristo estamos seguros [4.4-7];

Conclusão

O evangelho da graça de Deus produz em nós alegria por não ser alcançado por obras humanas. Ele não exige obras dos que nada podem fazer. Ele não exige presentes e dádivas daqueles que nada têm a oferecer. Ele é para aqueles que não temem os falsos mestres e seus ensinos. Ele é para todos nós hoje que, unicamente pela fé, confiam suas vidas no Autor da vida

Viva com alegria, seja em gratidão por aquilo que ele já lhe fez, seja em esperança por aquilo que ele ainda lhe fará. Diante daquilo que Deus nos tem feito, somos gratos, e a manifestação mais própria para o sentimento de gratidão é a alegria. Quem é grato é alegre. O louvor, que é uma expressão de alegria, é filho da gratidão.

Uma pessoa cheia do Espírito é uma pessoa alegre. A alegria é uma das consequências mais visíveis da plenitude do Espírito Santo em nós.

“O cristão é alegre porque sabe que Jesus ressuscitou, vive em sua vida, e nEle confia e descansa. É inadmissível para o salvo em Cristo levar uma vida de tristeza, pois o gozo de servir a Cristo fala mais alto do que qualquer outra coisa” (Rm 8.35-39)[3]. os que têm Jesus no coração sempre terão alegria verdadeira como virtude do fruto do Espírito Santo.

Referências
  • Azevedo, I. B. (2013). O fruto do Espírito: como deve ser a vida cristã. São Paulo, SP: Vida Nova.
  • Campos, H. C. (2012). O ser de Deus e o seus atributos. São Paulo, SP: Cultura Cristã.
  • Gomes, O. (2016). As obras da carne e o Fruto do Espírito. Rio de Janeiro, RJ: CPAD.
  • Packer, J. I. (2014). O conhecimento de Deus. São Paulo, SP: Cultura Cristã.
  • Pink, A. W. (2016). Os atributos de Deus. São Paulo, SP: PES: Publicações Evangélicas Selecionadas. Sociedade Bíblica do Brasil. (2018). Bíblia de Estudo NAA. Barueri, SP: SBB.

[1] Yuille, p. 110, Edição do Kindle.

[2] Yuille, p. 111, Edição do Kindle.

[3] Gomes, Osiel. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito (pp. 39-40). CPAD. Edição do Kindle.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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