O Fruto do Espírito | #01 | O verdadeiro amor

Introdução

É comum as pessoas definirem o Ser de Deus com uma única palavra: amor (Deus é amor), existe até uma igreja que esse título. Porém, de maneira muito errada, as pessoas assumem que o ‘amor’ é o atributo que mais define a Deus. Na verdade, o que elas estão declarando não é que Deus ‘é amor’, mas que esperam e precisam que Ele seja primordialmente ‘amor’ porque, do contrário, elas estariam perdidas e sem a quem recorrer.

Não é verdade que o amor é o atributo que melhor define o Ser de Deus, mas, é por causa de seu grande amor, que a sua bondade e misericórdia por pecadores como eu e você são claramente aplicadas.

J. I. Packer (2014, pág. 113), define o amor de Deus assim:

 O amor de Deus é um exercício de sua bondade para com pecadores individualmente por meio do qual, tendo se identificado com seu bem-estar, ele deu seu Filho para ser seu salvador e, agora, faz com que eles o conheçam e desfrutem dele em uma relação pactual.

O ponto a ser percebido na definição que Packer faz é que o amor de Deus tem origem nele e que só pode ser aplicado por nós uma vez que compreendemos a sua origem e desfrutamos de seus efeitos, sejam eles redentivos e/ou relacionais.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos gálatas, faz sérias exortações quanto a pressa que aqueles crentes estavam em abandonar o evangelho que receberam com fidelidade; e, depois de exortar quanto ao verdadeiro evangelho que não escraviza, mas liberta, e ter mais uma vez lhes apresentado o evangelho que liberta, Paulo lhes fala das obras da carne – que são resultados do que eles realmente eram, sem Cristo, e do Fruto do Espírito como uma ação poderosa da parte de Deus na vida daquele que recebeu o verdadeiro evangelho.

Paulo diz que as obras da carne são resultado de uma vida pecaminosa totalmente pertencente a natureza humana. Mas, o fruto do Espírito é o oposto e que só é possível ser aplicado na vida daquele que, antes, o evangelho libertou. Por ser uma prerrogativa do Espírito, esse fruto só é perfeitamente aplicado com uma ação soberana da parte de Deus.

Portanto, esse fruto do Espírito está à nossa disposição para praticarmos, mas, a sua aplicação correta só será possível uma vez que compreendermos como ela funciona em sua fonte, ou seja, em Deus. Somos ensinados nas Escrituras a amar como Jesus amou. Textos como o de 1João 3.16[1] só terão sentido uma vez que compreendermos a sua aplicação em sua raiz.

Há algumas verdades que precisam serem refletidas biblicamente para se compreender melhor o amor de Deus que nos é ensinado a imitar. Vejamos:

i. O amor é essencial em Deus

O apóstolo João descreve Deus como sendo amor. O amor é a essência de Deus: Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor (1Jo 4.8). Deus não precisa necessariamente manifestar o seu amor aos homens, mas na sua essência ele é amor.

Os seres humanos possuem amor porque eles o receberam de Deus, mas o amor não é parte da essência deles, porque muitos vivem sem amor e não tem amor para dar. O amor que os serem humanos possuem é derivado, mas o de Deus é original, pertencendo à sua essência.

Portanto, quando somos ensinados a amar ou a viver o amor, precisamos compreender que o modo de amar e ser amado por nossos semelhantes não deve ser um amor de origem humana, por assim dizer, mas de Deus, pois só por meio do amor de Deus que poderemos amar e sermos amados verdadeiramente – sem ciúmes, invejas, partidarismos, egoísmos e malignos.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios diz o seguinte:

4 O amor é paciente e bondoso. O amor não arde em ciúmes, não se envaidece, não é orgulhoso,  5 não se conduz de forma inconveniente, não busca os seus interesses,  não se irrita, não se ressente do mal. 6 O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. 7 O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (1 Coríntios 13:4-7[NAA]).

O amor de Deus é essencial nele e nós precisamos dele para podemos amar como ele nos amou e perdoar como ele nos perdoou.

ii. Os objetos do amor de Deus

O amor de Deus tem origem em si mesmo. A razão para o amor de Deus nunca está no objeto amado, mas em si mesmo, pois o amor faz parte da natureza de Deus. Ele ama e nunca cessa de amar porque o seu amor em sua essência.

O que podemos conhecer em relação ao amor de Deus diz respeito a sua manifestação desse amor em sua criação. “Nós amamos…”, como diz o apóstolo, “…porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Só podemos conhecer e aprender a amar uma vez que fomos alvos do amor de Deus.

Deus ama a si mesmo (a Trindade), como também sua criação (natureza, animais, humanidade). Por exemplo:

  1.  O amor de Deus na Trindade – O amor de Deus em si mesmo é mais bem percebido quando observamos a Trindade (Deus Pai, Filho e Espírito); é um amor com manifestação interior e eterna porque já existia antes da fundação do mundo. Amor do Pai pelo Filho (Jo 3.35, 10.17, 15.9-10); e o amor do Filho pelo Pai (Jo 14.31). O apóstolo Paulo, sem muitas explicações, fala do “amor do Espírito” (Rm 15.30, que certamente abrange toda a Trindade.
  2. O amor de Deus na criação – Deus também expressa o seu amor em favor de toda a sua criação. Ao perceber o caos na terra, Ele dá ordens e tudo fica muito bom (Gn 1 – 2.1-3). Ao perceber a natureza sem quem a cultivasse, então Ele cria o homem segundo a sua imagem e semelhança (Gn 2.4-25). Tendo achado o homem caído por causa de seus muitos pecados, então Ele prova o seu amor enviando seu único Filho (Rm 5.8; Jo 3.16; 1Jo 4.9).

É porque Deus ama a si (Trindade) e a sua Criação (natureza, animais e humanidade), que podemos desfrutar de seu amor. Só podemos amar se, antes de tudo, reconhecermos a origem do verdadeiro amor que cuida, zela, respeita, se doa, perdoa e compartilha.

iii. Características do amor de Deus

O amor de Deus também é bem mais compreendido ao analisarmos alguns temas que encontramos nas Escrituras Sagradas. Eles servem para dar entendimento pleno da aplicação do amor de Deus, como por exemplo:

  1. Eleição – quando Deus, por amor aos seus, escolhe alguns para mantê-los preservados de todo o mal eterno e supre esses com sua presença, sua liderança e sua graça.
  2. Redenção – o amor de Deus também pode ser melhor compreendido à luz de sua obra redentiva aos seus eleitos que se encontram como pecadores. A cruz é a demonstração maior do amor de Deus e é o instrumento aplicativo da redenção feita por meio de Jesus Cristo.
  3. Sacrificial – Deus prova o seu amor por meio do sacrifício de seu Único Filho. A entrega do Cordeiro perfeito de Deus para morrer no lugar de homens imperfeitos, mas amados por Ele, é a maior prova de que o Seu amor é verdadeiro.
  4. Eterno – Deus é amor em si mesmo, e isto significa que, antes que tudo viesse a existência o amor de Deus também já existia; portanto, ao amar a sua Criação, principalmente os seus eleitos, seu amor transcende o tempo.
  5. Imenso – o amor de Deus é imensurável em sua grandeza. O apóstolo João nos diz “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, ao ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1Jo 3.1). Por mais falhos e pecadores que sejamos, isso não muda quem Deus é em si mesmo.

Conclusão

Precisamos aplicar o verdadeiro amor que aprendemos com o Pai. Temos que aprender a apreciar o amor de Deus com o próprio Deus e praticá-lo. Nunca haveremos de apreciar o amor de Deus a menos que entendamos quem éramos, de onde ele nos tirou, onde estaríamos se ele não interviesse miraculosamente na nossa vida e onde nos colocou. Não podemos nos esquecer que o amor de Deus não é um amor por causa das coisas que lhe oferecemos, mas a despeito do que somos (Ef 2.1-4).

É para agirmos e pensarmos dessa maneira que o apóstolo Paulo fala que o amor é parte do Fruto do Espírito que recebemos com a nova vida em Cristo Jesus. Esse amor verdadeiro é aplicado por meio do sacrifício de Cristo Jesus na cruz do calvário, mas sua origem não é a cruz, mas Deus.

Amemos a Deus. Amemos a criação de Deus. Amemos pregar o seu evangelho. Amemos uns aos outros e a nós mesmos! Amém.

Referências
  • Campos, H. C. (2012). O ser de Deus e o seus atributos. São Paulo, SP: Cultura Cristã.
  • Packer, J. I. (2014). O conhecimento de Deus. São Paulo, SP: Cultura Cristã.
  • Sociedade Bíblica do Brasil. (2018). Bíblia de Estudo NAA. Barueri, SP: SBB.

[1] Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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