Converta seu irmão | Tiago 5.19-20

Introdução

Por causa da Queda do homem no Éden, todos fomos afetados pelas consequências do pecado. Paulo adverte aos romanos que tanto judeus quanto gentios pecaram, e para que não haja nenhuma dúvida quanto ao assunto, Paulo diz que “…todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). Esta é a verdade nua e crua da humanidade.

Engana-se quem pensa que esse é um mal apenas no ambiente ‘mundano’. Engana-se quem pensa que os ‘crentes’ estão isentos de pecar. Isto não é verdade! E todos nós sabemos que isso não é verdade.

Mesmo diante do contexto cristão, há pecadores. Mesmo entre os irmãos, há aqueles que se deviam da verdade. Mesmo diante da Verdade de Deus, há aqueles que se deixam enganar pelas mentiras da serpente maligna. Mesmo cercados por irmãos piedosos e totalmente interessados em santificar-se diante de Deus, há aqueles que se deixam levar pelos encantos do mundo, separando-se de Deus, pois como diz o próprio Tiago: “…Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4b); a mesma coisa é dita pelo apóstolo João, quando escreve: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15).

Tiago, depois de chamar seus irmãos para confessarem os seus pecados, dando crédito à oração feita com fé, agora os aconselha a ajudarem seus irmãos que se encontram com sua fé vacilante; aqueles que seus pés estão, de maneira apressada, se desviando da verdade plena do evangelho.

Nessa seção que chamamos de ‘Conselhos’, Tiago apresenta vários conselhos práticos para seus contemporâneos como resultado da fé em ação. Esses conselhos estão todos alicerçados nos pressupostos da oração, pois ela é o primeiro passo da fé. Quando oramos, oramos à Deus; e isto significa dizer que confiamos nele e em seu eterno poder. É por essa razão que a oração é o ponto de partida para a prática da fé.

Outro ponto dentro desta seção de ‘Conselhos’ é a questão do exercício da fé. Tiago convoca seus irmãos na fé a praticarem o que acreditam e a fazer isso como prova de sua verdadeira espiritualidade e conversão; pra isso, ele passa a ensinar sobre a importância da participação dos irmãos na fé – uns com os outros, na edificação, exortação, intercessão, doutrina e disciplina.

Falando sobre a participação dos irmãos na fé, uns com os outros, o Dr. Champlin (2014, Pág. 107), diz o seguinte: “Os pecadores podem arrepender-se e converter-se, e bem aventurado é o crente que se envolve na tarefa de levar outros a essas atitudes, servindo de instrumentos nas mãos de Deus para salvar as almas do inferno”.

Esta é uma tarefa importante de cada crente dentro de seus próprios contextos. Damos importância para a evangelização dos perdidos, mas não podemos nos esquecer daqueles que foram chamados pelo evangelho da salvação e que estão começando, a curto passos, a trilhar o caminho rumo ao céu.

Alguns, devido a muitas tentações, desviarão seus pés do caminho da verdade. É por essa razão que Tiago convoca a participação ativa dos irmãos em Cristo, uns com os outros, pois não estamos na estrada sozinhos, tão pouco chegaremos lá sozinhos. Precisamos uns dos outros. Precisamos orar uns pelos outros. Precisamos converter os pés vacilantes uns dos outros. Precisamos, todos nós, de Cristo Jesus!

É por essa razão que Tiago finaliza sua carta chamando os irmãos na fé a se preocuparem uns com os outros não apenas simbolicamente como uma profissão verbal, mas na prática da verdade. Tiago chama seus irmãos a se preocuparem uns com os outros na prática e defesa da fé cristã como também da atuação de cada membro do corpo de Cristo no progresso da mesma fé.

Temos algumas lições que podemos extrair desses versículos que nos ensinam como devemos atuar no progresso da fé cristã de maneira prática e direta. Vejamos:

i. No progresso da fé cristã, devemos nos preocupar uns com os outros, espiritualmente: “Meus irmãos […] entre vós…”.

Neste ponto somos chamados a atenção para o quanto estamos ligados uns aos outros espiritualmente. Na verdade, se entendermos nosso chamado em Cristo e como as Escrituras nos descreve, perceberemos que, como membros de um só Corpo, estamos ligados em todos os sentidos.

Acima de todo sentido, emoções e paixões, somos ligados num mesmo Espírito, o Espírito de Deus. Por estarmos assim, então precisamos nos preocupar em oração, ensino, exortação e suporte uns dos outros. Estar ligado espiritualmente um ao outro nos faz lembrar as Palavras de Jesus em sua oração: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17.20-21).

Por meio da Palavra de Deus compreendemos o quanto estamos ligados um ao outro por meio de Cristo. Portanto, quando um sofre – todos sofremos juntos; quando alguém está contente – todos nos alegramos juntos; quando alguém está doente – todos se unem em oração num único objetivo: a restauração de nosso irmão; quando alguém cai – todos o ajudam a se levantar. Tudo isso porque estamos ligados espiritualmente uns com os outros.

ii. No progresso da fé cristã, devemos nos preocupar uns com os outros, evangelísticamente: “…alguém o converter [..] o pecador de seu caminho errado…”.

Somos chamados por Cristo a ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda a criatura; porém, também somos convocados a compartilhar esse evangelho uns com os outros, conforme a igreja primitiva vivia ao perseverar na doutrina.

Muitos estão desviando seus pés do caminho do Senhor por várias razões. Uma delas é a falta de auxílio mutuo entre os crentes. Parece que estamos sempre sozinhos e por nos sentimos assim, muitas vezes nos perdemos em nossas escolhas e atitudes porque não conseguimos perceber claramente as ciladas do Diabo diante de nós.

Quando caímos, rapidamente se levantam os juízes na terra para julgarmos e condenarmos ao inferno. Mas, ninguém se levanta para nos alertar antes de cairmos no caminho da perdição. Quem dera tivéssemos muitos apóstolos “Paulo” que alertava seus filhos na fé quanto aos perigos do pecado, as paixões carnais, os enganos do Diabo e suas próprias cobiças. Quem dera tivéssemos irmãos preocupados com nossa espiritualidade ao ponto de pregarem o evangelho restaurador de Jesus Cristo.

A ideia de evangelismo não deve estar presente apenas no contexto da evangelização dos incrédulos, mas também na comunidade cristã, onde há pessoas imperfeitas sujeitas aos erros e pecados que tanto os acedia. Também precisamos nos preocupar evangelísticamente uns com os outros.

Essa preocupação é construtiva e não condenatória como muitos fazem na evangelização dos ímpios. Somos apressados em condenar as pessoas ao inferno porque elas não se renderam ao convite de “Vinde a Cristo” feito por elas. Mas, nos preocupar evangelísticamente com nossos irmãos visa ajuda-los a manter-se no progresso da fé e da vida santificada. Ajudar uns aos outros a progredirem no evangelho é uma tarefa de cada crente em Jesus.

Fazemos isso compartilhando a Palavra de Deus, orando pelos nossos irmãos, exortando uns aos outros quando nos encontramos em desvios da prática da verdade bíblica. O evangelho não é apenas para ser anunciado ao mundo pela igreja, mas também, evidenciado por ela em sua prática.

iii. No progresso da fé cristã, devemos nos preocupar uns com os outros, biblicamente: …salvará da morte a alma dele e cobrirá a multidão de pecados”.

O próximo passo relacionado a ideia que Tiago traz sobre nossa responsabilidade de converter uns aos outros, está relacionada ao nosso compromisso com a Bíblia. Com ela, poderemos então, praticar a verdade de maneira correta e evangelizadora. Ela abrirá nossos olhos espirituais para compreendermos a verdade de Deus, assim como também, nos conduzirá em pastos verdejantes enquanto peregrinamos, juntos, neste mundo.

No preocupar biblicamente uns com os outros no progresso da fé envolvo o conhecimento dos atributos de Deus, como também de toda a sua Obra, principalmente a salvífica. Esse conhecimento bem compreendido e praticado, nos fará responsáveis em ajudar nossos irmãos, enquanto progridem em sua fé cristã, na certeza de que estamos salvando-os de seus próprios erros e das consequências que virão.

É necessário compreender, portanto, que não estamos sozinhos neste mundo e que nele, estaremos sempre sujeitos ao pecado, assim como os demais. Porém, tendo em vista esse ponto, cabe a cada um de nós avaliarmos o que sabemos da Bíblia. Ou melhor, o que sabemos sobre Deus? Ou, o que sabemos sobre seus grandes feitos poderosos? As respostas a essas perguntas nos darão condições de expor a nossos irmãos os meios para que não se percam neste mundo e os conduziremos ao Cristo Salvador das Escrituras.

É comum em tempos de crises financeiras recorremos a empréstimos nos bancos, cartões de créditos e tudo mais. Também é comum, em tempos de solidão, dor e sofrimento, recorremos a terapias, remédios e outros meios de amenizar a dor e etc.; ou seja, para cada situação que enfrentamos, sabemos a “quem” ou o “que” recorrer. Porém, na vida cristã, quando em dificuldades espirituais, emocionais e/ou existenciais, perdemos o “norte” e saímos dos trilhos. É nesse momento que precisamos uns dos outros. Caso contrário, nossa vida estará sujeita a destruição eterna.

Precisamos um dos outros não no sentido “salvífico e redentivo” da situação, pois sabemos bem que não temos essa capacidade. Mas, no sentido de que podemos contribuir com o progresso e salvação desse irmão, conduzindo-o ao verdadeiro e único capaz de salvar: Cristo Jesus. Ele que é, pelo seu sacrifício e derramamento de sangue, nos salvou e pagou e apagou a multidão de pecados que tínhamos em escrito de dívida com Deus.

Eu e você, que desfrutamos da paz que excedem todo entendimento, somos responsáveis de compartilha-la como nossos irmãos em Cristo; aqueles que um dia experimentaram dessa graça de Deus e por causa de alguma circunstância, perderam o brilho da salvação em suas vidas. Somos responsáveis de apresentar mais uma vez o Salvador e Consolador de nossas almas a esse irmão e irmã. Somos responsáveis de conduzi-los à presença do grande Rei dos reis.

Não podemos ver nossos irmãos se perderem nesse mundo mal e não lamentarmos e nos movermos para ajudá-los a se reerguerem desse mundo perdido. Não podemos fingir que também não é conosco porque estamos ligados uns aos outros. Não podemos virar as costas para aquele que está cego em suas decisões e ações por causa do pecado, e não os ajudar a perceber seus erros abrindo-lhes os olhos com a Palavra poderosa de Deus que ilumina nossos olhos espirituais.

É essencialmente importante nossa tarefa de conduzir uns aos aotros à Cristo, assim como fez André ao levar seu irmão, Simão Pedro, a Jesus (Jo 1.41). Isso também faz parte do discipulado. Quando seguimos a Cristo e ajudamos outros a segui-lo. Ao ajudarmos nossos irmãos biblicamente a progredirem na fé cristã, estamos cumprindo o mandado de Jesus quando diz: “…fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19-20).

Conclusão

Conversão é tirar um pecador do erro do seu caminho e conduzi-lo à direção correta. Alguém que age assim, preocupado com seu irmão em Cristo, salvará da morte uma alma.

Não podemos tirar ninguém do inferno, mas podemos ajudar os que para lá estão indo. Fazemos isso convertendo os seus pés do caminho de perdição, engano e morte, apresentando-lhe o caminho da verdade e vida: Jesus Cristo – pois Ele é o caminho, a verdade e a vida!

Com isso, tiramos três aplicações importantes para nossas vidas:

  1. Se o cristão não permanecer na verdade de Cristo, ele também se desviará do caminho e, portanto, estará condenado à morte eterna.
  2. É necessário a compreensão de que não estamos prontos totalmente. Pecamos, pecamos e pecamos. Tendo essa compreensão de nossa limitação em mente, devemos buscar permanecer na rocha inabalável que é Cristo. Nele, enquanto estivermos nesse mundo, a sua imagem e semelhança será restaurada em nós à medida que caminhamos em sua verdade plena.
  3. Quando pecarmos, ou soubermos que alguém entre nós pecou contra Deus, que tenhamos pressa em retornar ao caminho do perdão, da graça e misericórdia de Deus derramadas na cruz do Calvário. Caminho esse que só poderia ser aberto por meio do sacrifício do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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