Façam orações | Tiago 5.13-15

Introdução

Esta seção da carta de Tiago eu chamo de: conselhos, pois apresenta diversos conselhos práticos para a vida cristã, como elementos essenciais para o exercício da fé em ação. É de extrema importância que essa parte, que começa no versículo doze do capítulo cinco e vai até o versículo vinte, seja estudada com cautela na leitura, prudência nas interpretações e diligência nas aplicações, pois lidam diretamente com o que chamamos de: vida pratica cristã.

O Rev. Hernandes Dias Lopes (2006, pág. 117), diz que “um cristão maduro é aquele que tem uma vida plena de oração diante das lutas da vida. Em vez de ficar amargurado, desanimado, reclamando, ele coloca a sua causa diante de Deus”.

Um forte compromisso com a oração é um pré-requisito para suportar o sofrimento e aflições que padecemos nesta vida. A pratica da oração também corresponde a fé em ação, pois, quando oramos dizemos à Deus que confiamos em seu eterno poder, graça e misericórdia. E só é capaz de orar aquele que confia. É principalmente quando nos dobramos diante de Deus que nos submetemos ao seu Senhorio. Portanto, Alguém de vocês está sofrendo? Faça oração!

Na passagem que lemos, Tiago nos convoca à pratica da oração como prova da nossa fé em ação. Em que circunstâncias devemos orar?

i. Em tempos de aflições – v.13a: “Alguém de vocês está sofrendo? Faça oração…”.

Tempos de aflição devem ser tempos de oração. As aflições devem nos levar à oração. Em um dia de aflição, nada é mais apropriado do que a oração. Isto não significa dizer que Tiago está ensinando que devemos orar apenas em tempos de aflições, mas que, em tempos como esse, o melhor remédio é a oração.

Perceba que Tiago diz: “Alguém de vocês está sofrendo? Faça oração”. Diferente do que ele fala no versículo seguinte, é a própria pessoa que está sofrendo que deve fazer a oração; ou seja, a pessoa que está aflita deve orar, ela mesma. Não há ninguém melhor do que ela mesma pra saber o que está passando.

A Nova Versão Internacional (NVI), traduziu esse versículo da seguinte maneira: “Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore” (Tg 5.13a [NVI]), deixando claro quem deve fazer a oração. Este ensino fala diretamente a aqueles que estão acostumados a transferir essa tarefa pra outros. Eu costumo chamar esses de: “os crentes seis horas”. É aquele que está sempre pedindo oração, mas ele mesmo não ora: “seis ora por mim”.

Os crentes, individualmente, são convocados a orar por si mesmos. Em tempos de aflições somos tomados por queixas, amarguras, desilusões e desânimos; quem, se não Deus, tem condições de ouvir e dar consolo ao nosso coração? É pra Ele que devemos abrir nosso coração e expor nossas dificuldades.

Enquanto muitos usam o Twitter, Facebook e Instagram para expor suas vidas, os crentes em Jesus oram e expõem à Ele suas vidas. Enquanto o mundo todo lê, ouve e assiste suas queixas e não podem fazer nada pra mudar, Jesus é aquele que têm todo o poder e autoridade no céu, na terra e debaixo da terra.

Há vários salmos onde o salmista expressa à Deus suas queixas, lutas e aflições, por meio da oração:

Sl 4.1 Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.

Sl 18.6 Na minha angústia, invoquei o SENHOR, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos.

Sl 61.2-3 Desde os confins da terra clamo por ti, no abatimento do meu coração. Leva-me para a rocha que é alta demais para mim; pois tu me tens sido refúgio e torre forte contra o inimigo.

Sl 102.1 Ouve, SENHOR, a minha súplica, e cheguem a ti os meus clamores.

Sl 130.1-2 Das profundezas clamo a ti, SENHOR. Escuta, Senhor, a minha voz; estejam alertas os teus ouvidos às minhas súplicas.

Portanto, Alguém de vocês está sofrendo? Faça oração. Mas, ore você mesmo! Com suas palavras e com todo o seu coração, apenas ore!

Não é apenas em tempos de aflições que devemos orar. Tiago apresenta mais uma circunstância em que devemos orar, como prova de nossa fé em ação.

ii. Em tempos de bom ânimo – v.13b: “…Alguém está alegre? Cante louvores”.

Tiago diz: Alguém está alegre? Cante louvores. Não é apenas quando tudo está mal que devemos nos lembrar de Deus e fazer nossas orações, mas também, quando tudo vai bem. Quando as coisas estão cada qual em seus lugares. Quando o céu está azul, como também quando escuro. Devemos orar quando nosso coração estiver quebrado pelas aflições e também quando saltar de alegria.

Muitos não têm o hábito de louvar a Deus como prova de gratidão, fé e devoção. A maioria das pessoas louvam por causa do ritmo comovente; outros, por causa do sucesso da canção; outros, por causa do cantor ou banda. Mas, uma minoria, louva por apenas ser Deus quem é!

Engana-se quem pensa que o louvor nos lábios dos homens deva se dirigir aos homens. Conforme às Escrituras, o louvor em nossos lábios devem ser a Deus: As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu (Salmos 19.14)!

Certa vez ouvi alguém dizer que, enquanto cantava, pessoas se convertiam e eram curadas. Eu penso que aquele louvor, então, não era pra Deus. Não temos nas Escrituras Jesus com os discípulos fazendo um grande coral para que a multidão fosse curada ou se convertesse de seus maus caminhos. O único método que pode levar as pessoas à conversão de suas vidas é A PREGAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS; ela que é poderosa para salvar. Quando pregamos, Deus opera o milagre da salvação. Conforme escreve Paulo aos romanos, ele diz: E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo (Rm 10.17), e a fé aqui é a salvífica.

O louvor deve ser dirigido à Deus. Quando cantamos, nos dirigimos ao Senhor de nossas vidas em adoração. É por esta razão que nossas canções precisam ser bíblicas e cristocêntrica, e não antropocêntricas, pois cantamos ao Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Quando louvamos expressamos a Deus o que há em nosso coração. É por essa razão que o louvor é associado a adoração; pois, se em nosso coração há gratidão, temor, devoção e humilhação, então, a adoração será em sincera retidão e louvor.

Como diz Tiago: Alguém está alegre? Cante louvores. Qual tem sido o motivo do seu louvor? O que tem levado você a clamar a Deus? É em tempos de aflições que somos convocados a orar, como também, louvar a Deus.

É curioso que Tiago nos convide a louvar depois de falar da oração em tempos de aflições. Parece que só é possível louvar quando estamos alegres. E creio que sim! A final de contas, o louvor é a expressão de nosso ser. Como é difícil cantar quando estamos amargurados, aflitos, angustiados, desanimados e abatidos. Porém, só é possível louvar aquele que primeiro orou a Deus.

Na oração, abrimos nosso coração e declaramos a Deus nossas angústias e aflições. A resposta imediata da fé, será a certeza de que Deus ouviu nosso clamor e tem poder para nos ajudar e mudar nossa condição; é então que podemos louvar. Neste momento, o louvor fluirá de nossos lábios como testemunho de nossa fé em Deus.

É por isso que podemos dizer como Tiago: Alguém está alegre? Cante louvores. O louvor será a expressão de nosso contentamento no Deus que ouve nossa oração e que é poderoso pra fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós (Ef 3.20).

Em tempos de aflições somos convocados a orar, e em resposta de nossa alegria e fé em Deus também devemos louvar. Agora, Tiago traz mais uma circunstância em que devemos orar.

iii. Em tempos de enfermidade – v.14: “Alguém de vocês está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor”.

Enquanto, em aflição e alegria, devemos orar e louvar, agora Tiago diz que também há circunstancias na vida cristã que dependemos uns dos outros para oração: quando em enfermidade.

É comum quando nos encontramos enfermos ou em situação grave de saúde, também nos encontrarmos enfraquecidos na pratica da oração e louvor, embora nosso espírito esteja firmado em Deus. Nesse momento, devemos contar com nossos irmãos na fé, principalmente aqueles aquém fomos entregues para sermos apascentados e liderados.

Tiago diz devemos chamar os presbíteros da igreja para que façam oração. A palavra “presbíteros” aqui vem do grego πρεσβυτερος presbuteros que diz respeito aqueles que presidiam as assembleias (as igrejas) do Novo Testamento. No Novo Testamento o termo bispo, ancião e presbítero são intercambiáveis em sua aplicação e significado.

O conselho de Tiago não quer dizer que esses presbíteros tinham algo incomum que algum outro irmão da igreja não tivesse, a questão última aqui é o fato deles estarem ali para auxiliarem o povo de Deus em suas dificuldades, principalmente no que se refere a Palavra de Deus.

Tiago também fala que, além da oração, esses presbíteros também tinham que ungir com óleo e em nome do Senhor. Esse óleo era uma especiaria que se utilizava para cura dos doentes, era uma espécie de medicamento caseiro disponível naquele contexto. Nos lembremos que a maioria daqueles novos crentes eram de pessoas pobres que mal conseguiam sustentar a si mesmos por causa da ganancia dos ricos que negavam um salário justo a eles, e não tinham condições de uma assistência médica melhor. É nessa hora que a igreja e sua liderança entravam em cena para dar a assistência que precisavam.

Não havia nada de espiritual e milagroso nesse óleo, como algumas igrejas ainda fazem uso de hoje. Esse óleo era o azeite de oliveira dotado de propriedades medicinais; portanto, seu uso era unicamente com fins medicinais. É possível que alguns cristãos primitivos usassem o azeite de oliveira como um mero meio de confirmação da fé.

O ponto central que devemos dar atenção aqui não é ao óleo em si, mas o fato de a oração ser feita “…em nome do Senhor” com o uso do óleo. O doente deveria, pela fé, confiar que Deus poderia curá-lo daquela enfermidade; e ele deveria provar essa fé de três maneiras:

  1. Chamar os presbíteros da igreja – mostrando nossa dependência uns dos outros;
  2. Receber a oração em nome do Senhor – submeter-se ao poder e vontade de Deus;
  3. Receber o óleo medicinal – tomar a medicação necessária;

Essas três ações provariam que aquele enfermo de fato crê que sua cura viria e que estava disposto a submeter-se a medicação necessária; elas deveriam acontecer conjuntamente. Ou seja, não basta apenas orar a Deus esperando que a cura venha, também é necessário, recorrer aos profissionais da saúde e aos medicamentos necessários. Isso não diminuirá em nada o poder Deus e nem a nossa fé; pois Ele mesmo deu a inteligência e capacidade dos médicos de operar e receitar remédios.

No final de tudo, Deus será louvado em cada cura. Portanto, “Alguém de vocês está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor”.

Em tempos de aflições devemos orar, e em resposta de nossa alegria e fé, devemos louvar. Ao mesmo tempo em que também, somos motivados a pedir ajuda aos presbíteros da igreja. Tiago finaliza falando em que circunstâncias devemos orar.

iv. Em plena fé – v.15: “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, estes lhe serão perdoados”.

Perceba que Tiago diz: “E a oração da fé salvará o enfermo”, e lembre-se que não é o enfermo que faz a oração aqui, mas os presbíteros. Tiago não apresenta nenhuma condicional para o enfermo, a não ser chamar os presbíteros; mas diz que os presbíteros que devem fazer a oração. É essa oração que deve ser feita com fé, ou seja, ela é exigida dos presbíteros. Se feita de tal maneira, salvará o enfermo.

Nos lembremos que o doente aqui está numa condição em que não encontra forças suficientes para orar e tratar de si mesmo. Ele apenas chama os presbíteros. Imagine Pedro, na porta do templo chamada “Formosa”, onde estava o paralítico, orando a Deus pela cura daquele homem e duvidasse ao mesmo tempo que o milagre poderia acontecer. Que tragédia seria o ministério dos apóstolos.

Espera-se que os presbíteros, bispos, pastores, anciãos e todos que estão sobre a liderança da igreja, creiam e manifestem fé ao orarem pelos enfermos. Tiago diz: “E a oração da fé salvará o enfermo”. A palavra “salvará” aqui não diz respeito a salvação, como se os líderes tivessem a capacidade de salvar alguém do inferno. Mas, ela vem do grego σωζω sozo que significa: poupar alguém de sofrer de uma enfermidade, fazer bem, curar, restaurar a saúde. Ou seja, “a oração com fé de um presbítero, fará o bem necessário para aquele que sofre de uma enfermidade”.

Veja como a Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduziu esse versículo: Essa oração, feita com fé, salvará a pessoa doente. O Senhor lhe dará saúde e perdoará os pecados que tiver cometido (Tg 5.15 [NTLH]).

Quanto ao perdão de pecados, é possível que Tiago esteja se referindo a um pensamento na cultura judaica que associava as enfermidades a uma vida de pecado; para os judeus, as doenças eram sinal de pecado na vida do enfermo. Também é possível que, no momento da oração, se requeira uma entrega total e confiante em Deus, ao ponto de curar não apenas a saúde física, mas também espiritual.

Tiago não está ensinando que toda enfermidade será curada se as pessoas simplesmente chamarem os presbíteros. Nem que a falta da cura é resultado da falta de fé do presbítero. Toda oração, inclusive a oração pela cura, fica sujeita à vontade de Deus. O ponto aqui é a plena confiança que Deus pode curar e perdoar pecados.

A fé que Deus pode curar deve existir. A fé que Deus pode perdoar pecados deve existir. A fé que Deus pode nos tirar de toda e qualquer aplicação deve existir. Mas, acima de tudo, a fé deve estar em Deus, pois Ele tem todo o poder.

Conclusão

Guardemos em nosso coração esses quatros conselhos que Tiago nos diz neste dia:

  1. Em tempos de aflições, façam orações;
  2. Em tempos de bom ânimo, cantem louvores;
  3. Em tempos de fragilidade física e mental, peça ajuda aos mais experiente na fé;
  4. Em qualquer circunstância, mantenha a fé em Deus.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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