Os Cristãos e a Palavra de Deus | 1Ts 2.13-16.

Temos mais uma razão para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, ao receberem a palavra que de nós ouviram, que é de Deus, vocês a acolheram não como palavra humana, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual está atuando eficazmente em vocês, os que creem. Tanto é assim, irmãos, que vocês se tornaram imitadores das igrejas de Deus que se encontram na Judeia e que estão em Cristo Jesus; porque também vocês sofreram, da parte de seus patrícios, as mesmas coisas que eles, por sua vez, sofreram dos judeus, os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, não agradam a Deus e são adversários de todos, a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados. A ira, porém, caiu sobre eles, definitivamente (1Tessalonicenses 2.13-16).

Introdução

A ocasião em que vivemos nos convida a orar e mantermos um coração grato diante de Deus, pois maior que qualquer pandemia é o que foi feito por nós através de Cristo Jesus, na cruz do Calvário. A ira de Deus que estava sobre nós foi derramada sobre Cristo, “…e sob suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5b).

Acima de qualquer luta e tribulação que possamos viver nesta vida, está o evangelho – “poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16b); e, por meio deste evangelho – que é de Deus, alicerçamos nossas vidas por meio da fé, sabendo que dele vem nosso socorro e salvação.

Tudo isso é muito claro nas Escrituras. A verdade de Deus para o homem em Cristo Jesus é que já não há condenação para ele, pois seus pecados foram perdoados em Cristo. A Bíblia nos garante que o Todo poderoso Deus não apenas nos livrou do poder do pecado, como também nos transportou ara o reino do Filho de seu amor (Cl 1.13). Isto nos aproxima das Escrituras com fé e plena convicção de Deus, em toda e qualquer circunstância, continua o mesmo Deus da Palavra verdadeira que salva e liberta.

O apóstolo Paulo é exemplo de tudo isso. Uma vez convocado à pregar o evangelho de Deus, teve sua vida inteiramente voltada à esse objetivo; mesmo que no percurso houvesse perseguições, descrédito por parte de seus opositores e até prisões. É desta meneira vívida que o apóstolo motiva seus irmãos em Cristo da igreja em Tessalônica a manterem firmados na Palavra, que é de Deus, que já receberam por meio dele e dos demais companheiros de mninistério – Silvano (Silas) e Timóteo.

Paulo escreveu essa carta em Corinto, durante sua segunda viagem missionária (meados da década de 50 d.C.). Depois de ministrar em Filipos, Paulo e seus companheiros pegaram a estrada para Tessalônica. Sua pregação ali levou vários judeus e gentios a crerem em Jesus (Atos 17.4).

Paulo enfrenta oposições durante seu ministério entre os tessalonicenses. Quando esses novos crentes em Jesus se unem com nova maneira de viver e de se relacionar, são acusados de se rebelarem contra César, na tentativa de os calarem e até os impedirem de falar em nome deste mesmo Jesus (Atos 17.1-8).

Paulo então, deixa a cidade apressadamente e vai para Bereia, Atenas e Corinto; ele tentou retornar à Tessalônica várias vezes, mas foi impedido por circunstâncias que ele atribui ao próprio Diabo (1Ts 2.18). Mas, sua preocupação com essa nova igreja o levou a enviar seu colega de ministério Timóteo, para colher informações em relação aquela igreja e para os “…fortalecer e animá-los na fé” (1Ts 3.2c).

Timóteo retorna com um relatório encorajador, embora aquela igreja estivesse sofrendo perseguições e necessitassem crescer na fé, ainda assim ela tinha se tornado uma “igreja-modelo” no proceder e na Palavra. Em todas as cidades vizinhas, na região da Macedônia, as pessoas sabem que eles renegaram os ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro.

De Corinto, Paulo escreve para encorajá-los a continuar crescendo em fé, amor e esperança, apesar da perseguição (1Ts 1.2-3). Cerca de seis meses depois, Paulo escreve a segunda carta aos Tessalonicenses para refutar uma compreensão errada sobre o dia do Senhor.

Esta passagem que lemos diz respeito a defesa que o apóstolo dá em relação a suas reais motivações quanto ao exercício de seu ministério entre os tessalonicenses, desde quando os visitou; mesmo que tenho sofrido e impedido de dar continuidade presencialmente. Diferente dos muitos mestres itinerantes do tempo em que escreveu a carta, Paulo é honesto em seus interesses com relação ao seu ministério de pregar aos gentios o Evangelho de Deus e demonstra seu interesse em servir inteiramente a Deus, ao escrever e dar conselhos práticos aquela pequena e nova igreja.

Paulo faz uso de duas ilustrações significativas para descrever seu amor pelos tessalonicenses: Ele cuida deles como uma mãe que amamenta e os instrui como um pai, exortando, consolando e admoestando a viverem de modo digno de seu chamado para fazer parte do reino de Deus (1Ts 2.10-12).

Paulo sente profunda gratidão pela resposta que deram à pregação das boas-novas, recebendo suas palavras como a Palavra de Deus – v.13-14a. Ele lhes garante que eles não estão sozinhos no sofrimento e que a ira de Deus cairá sobre seus perseguidores – v.14b-16.

A igreja havia sido fundada sobre a Palavra de Deus (1Ts 1.16), a mensagem do evangelho de Jesus Cristo. A mesma Palavra que traz a salvação capacita a viver para Cristo e a suportar o sofrimento por amor a ele. Paulo era grato porque os santos de Tessalônica apresentavam atitudes espirituais corretas com respeito à Palavra de Deus, que os ajudava a suportar o tempo de sofrimento.

Tendo em vista esse contexto e olhando para a passagem que lemos, podemos extrair algumas lições importantes em relação ao nosso comportamento como crentes em Jesus diante do quadro geral em que vivemos. Vejamos:

i. A PALAVRA ACOLHIDA – v.13.

É motivo de gratidão a Deus o fato de podermos ouvir, receber e acolhermos a Palavra de Deus. Os cristãos em Tessalônica não a receberam com palavra de homens, mas sim como Palavra de Deus. Não devemos jamais tratar a Bíblia como um livro qualquer, pois sua origem, seu caráter, seu conteúdo e seu valor são inteiramente distintos.

A Bíblia é a Palavra de Deus; foi inspirada pelo Espírito Santo de Deus (2Tm 3.16), e escrita por homens de Deus usados pelo Espírito Santo (2Pe 1.20-21). Essa mesma Palavra é santa, pura e perfeita (Sl 19.7-9); portanto, deve ser acolhida por todos nós cristãos.

ii. A PALAVRA COMPREENDIDA – v.14-16b.

É motivo de gratidão a Deus sabermos que os sofrimentos fazem parte daqueles que estão em Cristo Jesus. De que maneira sabemos disso: Quando, além de acolhermos a Palavra de Deus, também a compreendermos. Ao compreendermos o que está escrito na Palavra de Deus, entenderemos os fatos diante de nós; teremos a certeza que apesar deles, o Senhor da Palavra continua poderoso em todas as circunstâncias.

Enquanto os cristãos de Tessalônica sofriam por causa do evangelho de Deus, Paulo tranquiliza seus corações dizendo que eles não eram os únicos. Muitos outros antes deles sofreram e foram perseguidos; mas, esses perseguidores não agradam a Deus, portanto, terão da parte do próprio Deus a sua recompensa. Nós, porém, nos mantemos na Palavra de Deus, pela fé.

iii. A PALAVRA APLICADA v.16c.

É motivo de gratidão a Deus sabermos que, embora toda dor e sofrimento que padecemos nesta vida, em Jesus já fomos libertos da irá vindoura que resultará em dor e sofrimento eterno para aqueles que não receberam a Palavra de Deus.

Os cristãos de Tessalônica obedeciam às Escrituras pela fé, e a Palavra operava em sua vida. Não basta acolher às Escrituras ou mesmo compreende-la. É preciso aplica-la à vida tornando-se ouvintes e praticantes da Palavra (Tg 1.19-25). A Palavra tem o poder de realizar a vontade de Deus.

CONCLUSÃO

A Palavra de Deus, dentro do Cristão, é uma grande fonte de poder em tempos de tribulação e de sofrimento. Quem acolhe devidamente a Palavra (coração), compreende (mente) e aplica (volição), seu ser como um todo será controlado pela Palavra de Deus e o Senhor lhe dará o que precisa para esta vida.


BIBLIOGRAFIA

  • Dr. William Marty. Lendo a Bíblia livro por livro. Vida Nova. Edição do Kindle.
  • Bíblia de Estudo NAA. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.
  • Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento – Volume II / Warren W. Wiersbe. Traduzido por Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006.
  • Pinto, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e desenvolvimento no Novo Testamento / Carlos Osvaldo Cardoso Pinto. São Paulo, SP: Hagnos, 2008.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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