Ó preguiçoso | Provérbios 6.6-11 [NAA].

Vá ter com a formiga, ó preguiçoso! Observe os caminhos dela e seja sábio. Não tendo ela chefe, nem oficial, nem comandante, no verão prepara a sua comida, no tempo da colheita ajunta o seu mantimento. Ó preguiçoso, até quando vai ficar deitado? Quando se levantará do seu sono? Um pouco de sono, um breve cochilo, braços cruzados para descansar, e a sua pobreza virá como um ladrão, a miséria atacará como um homem armado.

Introdução

O trabalho é algo que dignifica o homem. Ele é estabelecido e abençoado por Deus. Engana-se quem pensa que o trabalho seja fruto do pecado, a final de contas, mesmo antes da Queda de Adão o trabalho já fazia parte do seu dia a dia.

O trabalho só ganhou um peso de labor e fadiga porque, após a Queda do homem, “ter o pão de cada dia” passou a ser resultado de um esforço físico e mental, além da constante lembrança da urgente necessidade do sustento.

É verdade que para nós cristãos, além desse esforço físico e mental, também contamos com a graça de Deus que nos capacita com vigor e saúde, além de ser Aquele que abre as portas, como também prospera nossas vidas. Também é verdade que até para realizarmos obra do Senhor somos chamados de “trabalhadores” de Sua seara. A realidade é que ainda tem muitos que não compreenderam o valor do “trabalho” para a vida do homem e a sua contribuição essencial para que se tenha a provisão.

Muitos filhos de uma geração de pais modernos não sabem o que é lavar uma louça, varrer uma casa, arrumar os lençóis da cama que dormiram e ajudar nas demais tarefas rotineiras do lar. Esses mesmos filhos crescerão mais tarde com a sensação de que tudo vai chegar muito fácil em suas mãos e que nada vai lhes faltar porque seus pais modernos estarão sempre lá. Porém, ao chegarem lá – se conseguirem chegar lá, esses filhos que cresceram aprenderão o valor, a necessidade e o esforço que o trabalho exige e descobrirão que tudo o que receberam de seus pais modernos veio com essas prerrogativas.

É tempo de pensarmos sobre essas e outras coisas para nossos filhos. O mundo ensina que essa geração é diferente da que passou, pois os tempos mudaram e as coisas avançaram. Mas, eu continuo observando que ainda existem as mesmas necessidades que antes, portanto, o “trabalhar” para sustentar a si e seus dependentes ainda é atual e sempre será.

A bíblia não deixa de pontuar sobre esse assunto. Ela leva tão a sério essa necessidade que chama de “preguiçoso” o que deseja apenas o “cochilo e descanso” enquanto cruza os braços diante das necessidades que batem à porta. A seriedade se torna ainda maior quando uma realidade é exposta dizendo que, essa preguiça, resultará em pobreza e miséria, além de sua surpreendente chegada, assim como um ladrão.

Um exemplo é dado pelo sábio Salomão para que tenhamos uma motivação pedagógica sobre a importância, urgência e como fazer esse “trabalho”. A formiga, um inseto tão pequeno e quase imperceptível têm muito a nos ensinar. Elas não têm chefe, nem oficial e nem comandante, ainda assim, no verão prepara e ajunta a sua comida, pois sabe a época devida para fazer a sua colheita.

O sábio nos convida a observador o exemplo dessas que, incansavelmente, trabalham; e não fazem isso buscando fadigar-se o resto da vida, acabando com o resto de vida que tem; mas, assim o fazem, visando um tempo de descanso, pois isso também é ensinado pelas Escrituras (Gn 2.1-3).

O reverendo Hernandes Dias Lopes (2016, pág. 114-115), comenta está passagem dizendo o seguinte:

O preguiçoso é tratado aqui como uma pessoa cujo único objetivo é dormir e desfrutar os deleites do descanso. Ele quer apenas os confortos da vida, e não o peso da responsabilidade. Quer apenas desfrutar as benesses da existência, e não a labuta do trabalho pesado. Quer apenas desfrutar da farta colheita do sono, sem ter semeado diligentemente com o suor do seu rosto. O preguiçoso anda cansado e tem necessidade de dormir. O trabalho para ele é castigo.

[…] A herança dos preguiçosos é a pobreza. Na crise, faltar-lhes-á o necessário, porque, quando todos estavam trabalhando e fazendo sua reserva, os preguiçosos estavam dormindo.

[…] Quem cruza os braços para trabalhar e quer apenas gozar os benefícios do sono, sem o peso do trabalho, enfrentará pobreza.

[…] A formiga não passa fome no inverso porque laboriosamente ajuntou sua provisão na ceifa. Mas, o preguiçoso desfruta os deleites do sono enquanto os trabalhadores, com fadiga e suor no rosto, sofrem as agruras do sol e o desconforto das chuvas. Porém, no dia da crise, aqueles que se preveniram desfrutarão do trabalho de suas mãos, mas o preguiçoso passará necessidade.

Que sejamos despertados para a urgente necessidade e que tenhamos disposição e entendimento de que o trabalho também glorifica a Deus. Amém!


Bibliografia

  • Lopes, Hernandes Dias. Provérbios: manual de sabedoria para vida / Hernandes Dias Lopes – São Paulo, SP: Hagnos, 2016.
  • Bíblia de Estudo NAA. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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