A resposta certa | Provérbios 16.1

O coração do ser humano pode fazer planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor (Pv 16.1 [NAA]).

Nesta vida, o que mais fazemos são planos. Planos que envolvem uma boa formação profissional, um bom casamento, uma viagem de férias, um exercício com excelência no reino de Deus, ajudar os necessitados e etc.; e tal.

Por ocasião da pandemia do Coronavírus, muitos desses planos foram adiados ou cancelados; mas, ainda assim não deixamos de fazer planos. De certa forma, eles são saudáveis para nossa saúde emocional, pois nos colocam na posição de quem quer perseverar na busca de acertos e sucessos, embora os erros e fracassos.

Eu penso que pós essa pandemia, o ser humano fará planos visando uma estabilidade financeira maior e se preocupará mais com sua saúde física e mental, visando um bem estar no presente, mesmo que tragam bons resultados para um futuro próximo; mas, o ponto é que, com essa pandemia, aprendemos a valorizar o dia de “hoje” como um presente de Deus, pois cada dia tem seu valor, mas nenhum dos dias que ainda não vivemos tem valor maior do que o “dia de hoje”, onde temos a certeza de que “vivemos”.

Nossos planos podem sofrer mudanças e variações nos detalhes, isto mostra nossa instabilidade e limitação, onde vamos nos adequando ao “momento” sem temer as barreiras presentes na execução destes planos; porém, nem sempre estamos prontos e conscientes das possíveis frustrações que ocorrerão durante o processo. É por isso que ainda podemos continuar planejando ou cedendo às mudanças e variações nos detalhes, como consolo para nossas vidas.

Mas, a pergunta que fazemos neste momento é a seguinte: O que garante o sucesso desses planos? Nosso esforço físico, mental e emocional? O dinheiro? Os amigos? A família? Outra pergunta que parece pertinente fazermos aqui, é a seguinte: Qual o lugar destes planos que fazemos na vontade soberania divina? De que maneira esse plano corresponde ao caráter santo de Deus, em nossa execução? Qual o valor edificador desses planos no envolvimento relacional com os demais membros do corpo de Cristo?

Como crentes em Jesus que somos, precisamos submeter toda a nossa vontade e planos à vontade e planos de Deus. Só existimos porque Deus nos criou, conforme a sua imagem e semelhança, para o louvor da sua glória (Ef 1). Isto significa dizer que, mesmo que haja uma autonomia em nossas decisões, no final de tudo, apenas a vontade de Deus – que é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2), será executada e aplicada em sua essência natural.

É interessante o sábio Salomão falar em fazer planos e apontar o coração como a fonte deles, porque, segundo comentaristas do Novo Testamento, o coração é a sede não apenas das emoções, como também do intelecto. Também é interessante compreender que o sábio não diz que é proibido fazer planos (…pode fazer planos v.1b); ou seja, essa possibilidade é uma prerrogativa de todos nós que fomos criados como seres dotados de intelecto e vontades.

Porém, o sábio chama a nossa atenção para a resposta certa da parte de Deus diante de nossos planos. Ele diz que essa é uma prerrogativa de Deus e não nossa. Fazer planos pode até está ao nosso alcance faze-los, porém, a resposta vem de Deus.

Nem sempre as respostas são como queremos ou correspondem aos nossos planos. Isto, de certa forma, é bom! Nossos planos nem sempre estão de acordo com nossa realidade e, principalmente, com a realidade já preparada por Deus a nós.

Por outro lado, somos informados por Jesus que “…do coração procedem maus desígnios…” (Mt 15.19a); sendo assim, como confiar que o nosso planejamento é de fato benéfico a nós ou a quem quer que seja? Neste momento, é melhor confiar naquele que sabe todas as coisas, por tê-las criado conforme sua plena vontade, e que elas correspondem ao que foram criadas pra ser.

Basta olhamos para a natureza e percebemos elas correspondendo ao que foram criadas para ser. Basta olhar para os animais e percebermos que eles, cada qual em sua espécie, correspondem ao que foram criados para ser. Porém, basta olhar para nós mesmos e percebermos que, com o pecado, não correspondemos ao que fomos criados para ser. Então, como confiar em nossos próprios planos?

Mais uma vez, não ficamos isentos de planejar, é possível que um desses planos correspondam ao que já foi planejado por Deus nosso Pai; porém, a consciência de que eles estarão sujeitos a vontade de Deus, não pode ser esquecida (Tg 4.13-15).

Mais uma vez eu quero citar o reverendo Hernandes Dias Lopes (2016, pág. 301-302), que comenta está passagem dizendo o seguinte:

Nem sempre o que planejamos acontece. Somos limitados e não conseguimos discernir todos os fatos que se escondem nas dobras do futuro. Alguns pensam que nossa vida segue um curso inflexível. Acreditam num determinismo cego e radical. Outros pensam que a história está dando voltas sem jamais avançar para uma consumação. Nós, porém, cremos que Deus está no controle do universo. Ele é o Senhor da história e tem nas mãos as rédeas dos acontecimentos. Nosso coração faz muitos planos, porém não é a nossa vontade que prevalece, mas o propósito de Deus. Não é a nossa palavra que permanece de pé, mas a resposta certa que vem dos lábios do Senhor. Deus conhece o futuro em seu eterno agora. Deus vê o que se esconde nos corredores escuros do porvir. Para ele, luz e trevas são a mesma coisa. Nada escapa ao seu conhecimento. Ele domina sobre tudo e sobre todos. O controle remoto do universo está em suas onipotentes mãos. É Deus quem tem a última palavra.

Que Deus em sua infinita bondade e misericórdia nos ajude a compreender e saber ouvir a resposta certa que vem dele. Amém!


Bibliografia

  • Lopes, Hernandes Dias. Provérbios: manual de sabedoria para vida / Hernandes Dias Lopes – São Paulo, SP: Hagnos, 2016.
  • Bíblia de Estudo NAA. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.
  • SITE: https://my.bible.com/bible/1840/PRO.16.1

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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