Advertência contra o mundanismo – Tiago 4.1-10.

Introdução

O que tem levado muitos crentes a abandonarem sua fé em Jesus e manterem seus relacionamentos saudáveis dentro das igrejas é o apego ao mundanismo. O sistema do mundo ensina que devemos cuidar de nós mesmos, mesmo que pra isso tenhamos que ofender e passar por cima de alguém.

Por causa deste mundanismo pessoas estão esquecendo de cuidar e zelar pela paz que recebemos da parte de Deus, em Cristo Jesus. Esse mundanismo começou quando as ambições do homem, como fruto do pecado, tomaram conta de toda a sua maneira de agir e se relacionar. Nos lembremos de Caim que, por causa de sua insatisfação e inveja, foi capaz de matar seu próprio irmão.

É tempo da igreja se sujeitar a Deus e se humilhar diante dele para que haja temor em nossos corações e obtenhamos o favor e graça dele. É hora de nos achegarmos a Deus; é tempo de lamentar por nossa condição em pecado e converter nosso riso em prato por causa de nossos pecados e ânimo dobre. Podemos fazer tudo isso na certeza de que Ele nos ajudará em nossas fraquezas e nos exaltará. Comecemos reconhecendo nossos pecados e buscando a presença de Deus para que tenhamos relacionamentos saudáveis e uma espiritualidade alicerçada em Cristo Jesus!

Warren W. Wiersbe, comentando esta passagem, diz que neste parágrafo, Tiago trata de três guerras existentes na vida: (1) a guerra uns com os outros; (2) a guerra consigo mesmo; e, (3) a guerra com Deus. Essas guerras existem dentro de nós e que acabam sendo percebidas em nossas praticas e conduta cristã ao longo da vida.

Nesta passagem podemos aprender com Tiago a identificar:

  • a origem das contendas que existem no mundo, principalmente entre os crentes – v.1-3;
  • o porquê agimos assim; e Tiago diz que é por causa de nossa amizade com o mundo, uma vez que nos tornamos inimigos de Deus – v.4-6;
  • Tiago termina dando-nos algumas orientações cruciais para uma vida submissa a Deus e que produzem resultados benéficos para seu povo – v.7-10.

Analisemos essas partes então!

i. A origem das contendas – v.1-3

De onde procedem as guerras e contendas? Pergunta Tiago. Está pergunta tem conexão com tudo que já foi dito no capítulo 3, onde Tiago fala dos 3 motivos que levam as pessoas a romperem relacionamentos e agir como o mundo, conforme está ensinando agora. Quais são esses 3 motivos? (1) O desejo de demonstrar superioridade (sabedoria/inteligencia) diante dos demais; (2) O mau uso da língua como instrumento destruidor de relacionamentos; e, (3) a falta de sabedoria do alto, como um reflexo do que há de pior no homem: sabedoria terrena, animal e maligna.

Quando Tiago inicia o capítulo 4, ele está sendo mais direto aos reais motivos que nos fazem agir com o desejo de demonstrar superioridade diante dos demais; o motivo de o porquê fazemos mau uso da língua como instrumento destruidor de relacionamentos, e a causa de não agirmos conforme a sabedoria do alto, uma vez que somos guiados por uma sabedoria terrena, animal e maligna. A resposta clara para tudo isso, Tiago diz que é por causa “Dos prazeres que militam na vossa carne” – v.1;

Quais são esses prazeres que a carne milita? – v.2

  • Cobiça – daqueles que procuram coisas proibidas;
  • Assassinatos – matar;
  • Invejas – ferver de ciúmes, ódio e raiva;
  • Planos de malignos que envolvem guerras e discórdias;

Por que todas essas coisas acontecem? Tiago diz que é porque deixamos de orar/falar com Deus – v.3. E o que acontece quando deixamos de orar? Passamos a cobiçar o que não é nosso. Aí, por causa da inveja, quando oramos, elas se tornam tendenciosas para o mal e nos tornamos egoístas.

Tiago continua pontuando as razões de todas essas coisas maléficas acontecerem na vida do homem. Ele aponta mais uma causa para isso. Vejamos:

ii. A amizade com o mundo – v.4-6

Tiago os chama de “Infiéis” (adúlteros) – dando ideia de infidelidade espiritual. Aqueles que tem uma amizade, ou seja, um envolvimento mais próximo com o mundo, está agindo de maneira infiel para com o seu Senhor e Deus. Essa infidelidade espiritual é comparada ao adultério conjugal porque trata da noiva de Cristo flertando, antes do casamento, com o mundo, onde jaz no maligno.

Aqueles que são amigos do mundo são inimigos de Deus. Não há compatibilidade desta união do cristão, que pertence a Deus, com o mundo que é inimigo de Deus. Todos que se dizem amar a Deus e ainda tem prazer nas coisas do mundo ao ponto de doar-se inteiramente para receber e adotar como princípio de vida, então esse não ama a Deus de fato; portanto, é mentiroso. Não tem como amar a Deus e ao mundo porque são opostos entre si.

Falando do mesmo assunto, o evangelista Mateus diz que: Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas (Mt 6.24).

A verdade é que tem muita gente flertando com o mundo, enquanto servem a Deus. Estão vivendo um adultério espiritual em sua vida cristã. Isto é resultado de uma vida mundana e pecaminosa; capaz de produzir ciúmes (sentimentos humanos) e invejas; e uma vida mundana produz soberba (mostrar-se acima dos outros) e uma falsa humildade, capaz de manifestar um elevado pensamento de si mesmo em comparação aos demais.

Esse tipo de união (mundo/igreja) tem sido presente na vida dos cristãos diariamente. Muitos estão nas igrejas louvando a Deus, trabalhando nos departamentos eclesiásticos, tendo a bíblia na mão, mas também estão tendo prazer nas coisas do mundo; estão se calando para as atrocidades do homem; estão investindo tempo e dinheiro em cosmovisões que a bíblia não abraça; estão cada vez mais negando o verdadeiro evangelho por outro mais acessível, mais palatável, mais amoroso e permissivo.

Deveríamos repensar nossas atitudes diante deste quadro lastimável; pois, não é boa coisa sermos inimigos de Deus. Precisamos nos lembrar que tudo isso (mundo) vai passar, o Rei irá voltar para buscar os seus fiéis e condenar o mundo à destruição e morte eterna; o pior de tudo é que essa destruição não destruirá, e essa morte não matará; mas, os horrores de uma vida destruída e as dores da morte estarão presentes todos os dias na vida daqueles que se tornaram inimigos de Deus.

Tiago agora apresenta nove orientações para os verdadeiros crentes seguirem, uma vez que suas vidas estão de fato em Deus e submissas à sua Palavra. Vejamos:

iii. Orientações e resultados de uma vida submissa a Deus – v.7-10

  • Sujeitai-vos (obedeçam/colocar em sujeição), portanto, a Deus – v.7a;
  • Resisti (colocar-se contra) ao diabo – v.7b;
  • Chegai-vos (aproximar-se) a Deus – v.8a;
  • Purificai (consagrar pela limpeza ou purificação) as mãos, pecadores – v.8b;
  • Limpai (tornar puro) o coração – v.8c;
  • Afligi-vos (sentir-se aflito e miserável) – v.9a;
  • Lamentai e chorai – v.9b;
  • Converta o vosso riso em pranto, e a vossa alegria em tristeza – v.9c;
  • Humilhai-vos (ter uma opinião modesta de si mesmo) na presença do Senhor – v.10a;

Ao seguirmos essas orientações então, teremos condições de fazer morrer as paixões carnais que militam dentro de nós, e fazer prevalecer a ação do Espírito de Deus, produzindo frutos dignos de arrependimento.

Ao nos achegarmos a Deus, precisamos resistir ao Diabo. Perceba que um substitui o outro. Eu rejeito aos convites tentadores do diabo e, ao mesmo tempo, recebo com louvor a presença de Deus e tudo o que tem a oferecer. Não basta apenas rejeitar do Diabo, também é preciso ocupar o espaço em nosso coração e vida com as coisas do alto, mediante a submissão a Deus.

Uma vez que nos submetemos a Deus, será natural buscarmos uma vida santificada, pois Deus é santo e desejamos que nos santifiquemos. A luz divina nos conduzirá a uma avaliação constante do que precisamos tirar de nossa vida que, antes, estava em trevas por causa de nossa amizade com o mundo. Deus é luz e essa luz divina tem poder para iluminar nossos olhos para o que é pertencente as trevas.

Ao invés de alimentarmos nossa vida com os prazeres da carne, uma vez que nos submetermos a Deus e ao mesmo tempo rejeitarmos o diabo, então lamentaremos a condição que chegamos por causa do pecado. Teremos mais motivos de choro do que alegria, e perceberemos nossa dependência em Deus para uma vida transformada; só assim, nos humilharemos diante do Senhor dizendo: reconheço minha limitação e desejo pelo pecado, e peço ao Senhor que me ajude em minhas fraquezas para que tenha condições de agradar ao Senhor com uma vida santificada. Este deve ser nosso foco de vida!

Conclusão

Tiago conclui suas instruções falando de três resultados para aqueles que assim procederem, em submissão a Deus. Vejamos:

  • Ele (diabo), fugirá de vós – v.7c;
  • Ele (Deus), se chegará a vós outros – v.8b;
  • Ele (Deus), vos exaltará – v.10b;

Que sejamos humildes suficientes para reconhecer nossa necessidade de Cristo e sua obra, pois só Ele tem poder para transformar nossas vidas e nos ajudar em nossas fraquezas, uma vez que somente n’Ele temos vida e paz com Deus. Amém!

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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