Jesus, nosso Profeta – Hebreus 1.1-3 [ARA].

1 Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2 nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. 3 Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.

INTRODUÇÃO

Em meio a um mundo em crise, famílias destruídas, igrejas perdendo a sua essência e a humanidade se perdendo em meio aos modismos, só nos resta uma única esperança: Jesus Cris

Ele, que é o Filho de Deus, a expressão exata do seu ser. Ele, que é o resplendor de Sua glória, que sustenta tudo por meio de sua Palavra poderosa. Ele, que depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas. Ele, que é o Profeta prometido há séculos atrás, é a única esperança profética para a humanidade, pois é a Palavra de Deus, viva e eficaz.

Precisamos deste profeta. Precisamos deste Jesus que é Deus. Precisamos de suas palavras. Precisamos de sua vida. Precisamos deste profeta.

QUEM ERAM OS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO?

A palavra “profeta” deriva do grego προφητης prophetes, que quer dizer “pessoa que fala em lugar de outra como intérprete, ou proclamador e também pessoa que prediz o futuro”. Olhando para as Escrituras, especialmente para o Antigo Testamento, temos a definição de “profeta” como alguém que é movido pelo Espírito de Deus e, por isso, seu instrumento ou porta-voz. Alguém que solenemente declara aos homens o que recebeu por inspiração, especialmente aquilo que concerne a eventos futuros, e em particular, a tudo o que se relaciona com a causa e o reino de Deus e a salvação humana.

Os profetas eram homens revestidos de autoridade para falar em nome de Deus. Esses homens eram chamados por Deus e capacitados para se dirigirem ao povo com autoridade e poder para falar em seu Nome, no que diz respeito à Sua vontade e lei.

A Palavra de Deus vinha a eles de vários modos – visões, teofanias, sonhos, voz audível de Deus. A sua missão era confirmada por sinais extraordinários, pelo cumprimento de suas palavras e pelo valor de suas doutrinas, e cuja autoridade Deus mantinha, dando execução de suas ameaças sobre os ímpios e desobedientes.

Assim como haviam profetas chamados por Deus, também existiam os falsos profetas que falavam em nome dos ídolos. Esses profetas eram classificados em dois grupos: (1) aqueles que se diziam possuir dons extraordinários e que eram conhecidos por suas palavras doces e agradáveis [1Rs 22.5-28]; e, (2) aqueles que diziam serem profetas apenas pelo dinheiro que ganhavam ao proferirem suas falsas predições [Mq 3.11].

Enquanto que os sacerdotes, como mediadores, representavam o povo diante de Deus, os profetas, também como mediadores, falavam ao povo da parte de Deus. Eles, por assim dizer, eram porta-vozes e agentes da revelação pelo qual Deus, em vez de falar diretamente do céu à congregação de Israel, colocava suas palavras nos lábios de homens.

POR QUE ELES ERAM NECESSÁRIOS?

Mais uma vez podemos perceber a graça e misericórdia de Deus se manifestando na história da humanidade. O fato de Deus convocar e capacitar alguns homens e pôr em seus lábios as Suas Palavras, além de demonstrar a sua grande misericórdia e graça, também demonstram o declínio e a incapacidade de ouvir a Voz de Deus diretamente.

Quão prejudicial para o homem é ficar sem ouvir a Voz de seu Senhor e Criador. Fomos criados por meio da Palavra poderosa de Deus e somos sustentados pelas mesmas Palavras de misericórdia, graça e bondade dele. Infelizmente, por causa do pecado que cometemos, ficamos incapacitados de estar diante da presença de nosso Criador e Senhor e ouvir suas Palavras; pois, mediante nossa condição deplorável e miserável nos afastamos de Deus.

A miséria do homem estava tão grande que, mesmo diante dos grandes feitos de Deus ao libertar o povo de Israel do Egito e das mãos de seus inimigos, ainda assim eles não tinham condições de estar diante de Deus e ouvir sua Voz diretamente. O próprio povo diz para Moisés ao pé do monte Sinai, dizendo “… Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êx 20.19 [ARA]).

É por esta razão, mediante o declínio do homem, que Deus toma a iniciativa e convoca alguns homens, capacitando-os para falar em Seu nome. É por meio dos profetas que Deus concede a sua Palavra. A boa notícia que esta verdade nos dá é que Deus, mediante sua bendita graça e misericórdia, fala ao seu povo. Mesmo diante de nossas iniquidades e maus caminhos o Senhor continua falando e nos chamando para a Sua Santa presença, em arrependimento e fé.

Houve um tempo em que Deus se calou. A desobediência do homem continuou aumentando e a sua maldade foi tomando conta de sua vida de maneira tal que Deus cessou suas Palavras durante quatrocentos anos. Nesse período, o povo esteve à sua própria sorte.

Alguém disse certa vez que “o silêncio de Deus é ensurdecedor”. Diferente do ditado popular que diz quem cala consente”, o silêncio de Deus não significava que estava de acordo ou tolerava o rumo que o homem estava tomando e as suas ações. É por essa razão que Deus rompeu seu silêncio mais uma vez por meio de um profeta que clamava no deserto dizendo:

“… 23Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor…”

26 …Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis, 27o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias.

29 No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! 30 É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. 31 Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai. (João 1).

Este “Verbo” anunciado por João Batista é Jesus Cristo. O mesmo profeta prometido por Deus a Moisés e ao povo, que viria mais tarde: “O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás” (Dt 18.15).

Jesus é o Profeta por excelência. Ele não apenas proclama a Palavra de Deus; ele é a Palavra de Deus. O apóstolo João em seu evangelho diz: No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus (João 1.1). Ele não apenas é o sujeito da profecia; ele também é o principal objetivo da profecia.

O autor aos Hebreus se depara com uma igreja recém-formada por cristãos da dispersão, entre judeus e gentios, que estavam sendo influenciados a abandonar este Cristo que havia sido morto na Cruz do Calvário, por uma doutrina que ainda estava sustentada nas leis e rituais do Antigo Testamento. Esta epistola encoraja os leitores a perseverarem e os adverte contra abandonar Cristo.           

Jesus Cristo é o tema central desta epistola. O autor escreve falando que Jesus é superior a qualquer anjo, sacerdote ou instituição da antiga aliança; desta forma, cada leitor, em vez de abandonar tão grande salvação, é convocado a agarrar-se pela fé ao verdadeiro descanso encontrado em Cristo e a encorajar outros na Igreja a perseverarem.

O autor começa sua escrita trazendo luz à mente dos Hebreus de que Deus falava no passado, aos pais, por meio dos profetas, eles eram apenas instrumentos de Deus para transmitir a sua mensagem; eles não eram os protagonistas da mensagem e nem a fonte da mesma. Jesus é o centro da mensagem por ser ele a própria mensagem. Os profetas, enquanto instrumentos de Deus, falaram a mensagem da parte de Deus; Jesus, enquanto Filho, é o teor da mensagem de Deus.

Entendendo esta verdade, por que podemos afirmar que Jesus é o nosso Profeta?
i. PORQUE ELE, SENDO FILHO, FALA DIRETAMENTE À NÓS – v.1-2a

a) No passado, Deus falou aos pais por intermédio dos profetas. Falar aos pais diz respeito à liderança do povo;

b) Nestes últimos dias, Deus continua falando, não mais como no passado, mas de uma maneira perfeita e direta. Ele fala pelo seu Filho, Jesus Cristo. Deus agora não fala usando terceiros, ele fala diretamente ao Seu povo por meio de seu Filho, Jesus Cristo;

c) O ponto em questão aqui diz respeito à duas coisas importantes:

1. Deus continua falando – a boa notícia que o homem pode receber além da providência divina quanto à salvação é que Deus continua interessando em se comunicar com sua criação;

2. O único método de Deus falar com seu povo é por meio de Seu Filho, Jesus Cristo – fora disso não é Deus falando.

Por que podemos afirmar que Jesus é o nosso Profeta? Porque esse Jesus fala diretamente a nós, diferente dos antigos profetas que falavam da parte de Deus. No texto encontramos uma segunda razão. Vejamos:

ii. PORQUE, ESSE PROFETA, FALA COM PODER E AUTORIDADE PRÓPRIA E NÃO REPRESENTATIVA COMO OS ANTIGOS PROFETAS – v.2b-3c;

a) Este Jesus não é um profeta como os demais eram. Os antigos profetas falavam da parte de Deus como seus representantes. Jesus, sendo Filho, é o próprio Deus falando, pois tem a mesma autoridade e poder do Ser divino;

b) Ele não fala como aqueles que se pronunciavam em nome de seu Senhor, mas como quem também é dono, pois é o Herdeiro de todas as coisas;

c) Ele não fala em representação da pessoa de Deus, Ele é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser;

d) Ele não apenas fala a vontade de Deus para um povo, chamando-o ao arrependimento e confissão de pecados; Ele é aquele que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder, onde seus eleitos são preservados do mau e o mundo é restaurado por Sua palavra poderosa;

Por que podemos afirmar que Jesus é o nosso Profeta? Porque esse Jesus fala diretamente a nós e porque esse profeta tem poder e autoridade em suas Palavras que lhe são próprias, diferente dos antigos profetas que falavam da parte de Deus. No texto ainda encontramos uma terceira razão. Vejamos:

iii. PORQUE ESSE É O ÚNICO PROFETA QUE ESTÁ ASSENTADO À DESTRA DE DEUS – v.3c;

a) Embora os profetas do passado tenham cumprido seu papel ao falarem da parte de Deus, a nenhum deles foi dado o direito de se assentar à direita de Deus;

b) Diferente dos profetas do passado, Ele não está morto, mas ressurreto. Não apenas ressurreto, mas elevado. Não apenas elevado, mas glorificado;

c) Nenhum sacerdote no Antigo Testamento se sentou enquanto cumpriam seu dever, pois o trabalho não havia finalizado; assim também a nenhum profeta foi dito que seria exaltado à mais alta posição no céu por cumprir sua missão;

d) Jesus Cristo, depois de ter cumprido sua missão – Que missão? Ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas;

e) Ele fez isso não apenas por cumprir seu papel como profeta e sua missão como sacerdote, mas também porque é o Filho bendito de Deus, o Herdeiro de todas as coisas e o seu Cordeiro;

f) Enquanto os profetas do passado apenas chamavam o povo ao arrependimento e os sacerdotes ofereciam suas ofertas em favor de seus pecados e do povo, Jesus Cristo é a oferta plena de Deus em remissão dos pecados e redenção dos pecadores;

g) Desta maneira também podemos clamar: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas! (Mt 21.9b).

Conclusão

Olhando para esta passagem podemos fazer algumas conclusões importantes para este dia:

a) Por meio de Jesus Cristo, Deus continua falando com o seu povo; mesmo que sua mensagem seja para nos exortar ou abençoar, o fato é que ele continua falando;

b) Por ele ainda falar hoje, é preciso compreender que não existe outro meio tão confiável, infalível e relevante para a igreja do Senhor do que a Palavra de Deus;

c) Jesus é o tema principal das Escrituras, portanto, devemos dar atenção às Suas Palavras;

d) Embora hoje, ele esteja assentado à direita da Majestade de Deus nas alturas, um dia Ele se levantará de Seu trono mais uma vez para buscar a sua igreja e cumprir sua palavra profética que diz: “…quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (João 14.3 [ARA]).

Jesus é o nosso Profeta pelo qual nos mantemos firmes em suas Palavras e promessas pois são verdadeiras e poderosas para a igreja do Senhor e todo aquele que nele cré!

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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