Fundamentos da vida cristã | 1 João 5.13-20

Uma base doutrinária sobre a qual podemos construir nossas vidas

Introdução

Temos comentado bastante sobre os fundamentos da fé cristã, com o intuito de apresentar aos irmãos que a vida cristã não é mais uma vida entre muitas; mas, a única que existe vida. Essa vida não é fruto do que fazemos ou projetamos, mas uma característica adquirida sob a ótica do evangelho. Essa vida tem fundamentos estabelecidos por Deus, que se fez conhecido na pessoa de Seu Filho.

Não podemos viver a vida cristã fundamentada em suposições ou experiências que aprendemos com o mundo. Nossa base doutrinária está fundamentada em Cristo Jesus; com isso, nossa vida cristã é alicerçada em fundamentos que recebemos na caminhada cristã, sob a ótica de Cristo Jesus. Somos o que somos em Cristo Jesus porque Ele mesmo se fez conhecer a todos nós.

É nesse aspecto que o apóstolo João finaliza sua primeira epístola. Ele se dirige aos mesmos irmãos em Cristo (filhinhos) com a preocupação de leva-los à compreensão de que a vida cristã tem um fundamento, e esse fundamento é Jesus Cristo. Ele diz que, uma vez que somos filhos de Deus, precisamos nos adequar há um novo proceder e fundamentar nossa vida em um novo alicerce, Cristo Jesus.

O cristão que tem sua vida fundamentada e doutrinariamente alicerçada precisa entender que esse fundamento e alicerce é o próprio Cristo Jesus. Nossa fonte única de instrução são as palavras de vida eterna de Jesus Cristo. Foi desta forma que o apóstolo Pedro e os demais discípulos perceberam que não tinham para onde ir; não haveria outro lugar que pudesse oferecer vida eterna, como em Jesus.

O apóstolo João conclui a sua primeira epístola trazendo cinco certezas doutrinárias sobre as quais fundamentam nossa vida cristã. Quais são elas?

A vida cristã deve estar doutrinariamente fundamentada sobre:

i. A GARANTIA DA VIDA ETERNA [v.13]

O apóstolo João escreve a esses irmãos reforçando que em Cristo Jesus, eles têm a vida eterna. João foi testemunha ocular quando viu e ouviu o próprio Jesus dizer: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” [João 10.28]. Uma vez que temos um encontro especial e salvífico com Deus, temos a garantia da vida eterna.

Pelo menos três aspectos desta “certeza da vida eterna” precisamos observar com mais ênfase.

  1. A vida eterna não é algo que possuiremos com o tempo. O apóstolo João diz a eles que “tendes a vida eterna”. Esta afirmação está no tempo presente. Esta é uma certeza que temos pelo fato do próprio Jesus ter nos dado esta garantia.
  2. A vida eterna é obtida mediante a fé em Jesus Cristo. O fato de cremos em Jesus como o Filho de Deus e O termos como nosso Senhor, é um indício de que a vida eterna nos é dada.
  3. A vida eterna é algo que acontece sobre aqueles que são nascidos de Deus. O apóstolo João dirige suas palavras “a vós outros”; lembremo-nos que em outro momento ele fala dos falsos mestres, filhos do maligno, anticristos e filhos do diabo; agora, ele fala “a vós outros”. Para esses, a vida eterna é algo presente.

ii. A GARANTIA DA ORAÇÃO OUVIDA [v.14-17]

O apóstolo João também apresenta a certeza da oração ouvida como fundamento para a vida cristã. Nossa doutrina não testemunha um Deus mudo e surdo. Nosso Deus nos responde todas as vezes que dirigimos a Ele nossa voz em oração. Ele responde até quando está em silencio; pois o seu silencio também é uma forma de nos dizer “não” ou “espere”.

A grande certeza que temos quando oramos é que Ele nos ouve. Nossa certeza é obtida pelo fato de orarmos segundo a sua vontade. O apóstolo João diz que ele nos ouve, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade. A resposta de nossa oração deve estar sujeita à vontade de Deus. A estratégia perfeita para que a oração seja ouvida é submetê-la a vontade de Deus. O próprio Jesus nos ensina na oração do Pai nosso “… faça-se a Tua vontade, assim na terra como é no céu” [Mateus 6.10].

“Orar de acordo com a vontade de Deus é orar de acordo com o que ele quer; não com o que nós desejamos ou insistimos para que ele faça por nós” [John MacArthur]

Notemos que a certeza que o apóstolo João apresenta com relação à oração é que “Ele nos ouve”. Cremos que Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, mas é conforme o poder que opera em nós; ou seja, conforme o beneplácito de sua vontade.

iii. A GARANTIA DA VITÓRIA SOBRE O PECADO [v.18]

O apóstolo João apresenta uma das mais reveladoras e cruciais informações a respeito da fundamentação doutrinária da vida crista que precisamos conhecer – a certeza da vitória sobre o pecado. É por causa do pecado que nos separou de Deus que Cristo veio até nós. O pecado é o principal motivo de toda a humanidade ainda estar nas trevas. O pecado é a principal doença que tem levado a morte de muitos daqueles que se encontram perdidos e distantes da Luz de Cristo.

Em Cristo Jesus somos nascidos de Deus; recebemos uma nova vida e nos revestimos do novo homem criado segundo a imagem de Deus. Quem é nascido de Deus vive conforme os princípios de Deus.

O apóstolo João apresenta esta mesma verdade em algumas de suas declarações quando diz: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu” [1 João 3.6]; ou seja, quem está em Cristo Jesus não pode mais viver sob o domínio do pecado. Desta forma podemos ter certeza que somos de Deus, se não vivermos mais em pecado.

O apóstolo João nos diz que o pecado já não tem domínio sobre aqueles que estão em Cristo Jesus, e mesmo que em algum momento eles venham a pecar – como de fato pode acontecer por causa de ainda estarmos no mundo que jaz do maligno – temos um Advogado que nos garante a absolvição, uma vez que Ele já pagou a punição deste pecado, confessado e deixado.

O que nos garante a vitória sobre o pecado não é as nossas próprias forças ou nossa capacidade de fugir, mas o fato de Jesus Cristo ter vencido o pecado na cruz do calvário. Em Cristo Jesus somos mais que vencedores porque não precisamos entrar mais uma vez nesse combate contra o pecado, já que da primeira vez nós perdemos lá no Jardim do Éden; Jesus venceu por nós, e Ele ratifica “Eu venci”.

iv. A GARANTIA DE QUE PERTENCEMOS A DEUS [v.19]

O apóstolo João, ainda tratando de forma contundente sobre o mundo e os filhos de Deus, ele apresenta outra certeza que precisamos estar fundamentados na vida cristã: “somos de Deus”. Nossa filiação esta vinculada a Deus nosso criador. Em Cristo Jesus fomos regenerados para Deus. Esse processo acontece quando o Espirito Santo de Deus começa fazer a sua obra salvífica em nós.

Mais uma vez o apóstolo João faz distinção entre os “filhinhos” na fé (na qual ele se dirige e que nasceram de Deus) e os anticristos que “são do mundo” [1Jo 4.5]. Os que são do mundo não tem parte na filiação com Deus. Não são chamados de cristãos e, portanto, não tem participação nas bênçãos eternas de Deus, pois são do mundo e o mundo inteiro jaz do Maligno.

Enquanto os nascidos de Deus estão sob a guarda do Nascido de Deus, os que são do mundo são mantidos em submissão ao Diabo e ainda estão sob o poder do mal. João diz que “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio” [1 João 3.8]. Desde o princípio o diabo se rebelou contra Deus. Desde o princípio o diabo desobedece aos decretos de Deus. Sabemos que somos de Deus se guardarmos a Sua palavra e em obediência a colocarmos em pratica.

A diferença de ainda estarmos neste mundo, mas não sermos deste mundo está em nossa conduta como cristãos nascidos de Deus. Se tivermos plena certeza de nossa filiação em Cristo Jesus, então, o pecado não será um obstáculo para nós, neste mundo que jaz do Maligno. A plena certeza virá por estarmos em Deus, pelo Seu Filho amado – Jesus Cristo, aquele que nos guarda e nos preserva “do” e “neste” mundo.

v. A GARANTIA DE QUE JESUS CRISTO É O VERDADEIRO DEUS [v.20]

O apóstolo João mais uma vez volta ao assunto central desta epístola – a divindade de Jesus Cristo. Essa é a quinta certeza que ele apresenta neste capítulo. Ele afirma pela quinta vez dizendo: “sabemos que”. Esta afirmação não é de informação, mas de confirmação, pois ele diz “sabemos”. Embora tivesse apresentado inúmeras provas da divindade de Jesus Cristo, agora ele ainda termina reafirmando toda a sua declaração anterior sobre esta certeza doutrinaria, fundamental para a vida cristã.

Está é uma certeza que todo cristão precisa estar ciente e que o apóstolo João reafirmou para aqueles cristãos que estavam sendo enganados pelos ensinos dos gnósticos: “Sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho, Jesus Cristo”.

João finaliza este versículo citando parte das palavras do próprio Jesus quando diz: “E a vida eterna é está: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” [João 17.3]; “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.

CONCLUSÃO

A maior certeza de todas, que o cristão precisa estar doutrinariamente fundamentado, é a de que Cristo se fez carne e habitou entre nós. Essa certeza doutrinária confirma e fundamenta todas as demais.

Como cristãos precisamos estar cientes dos pilares fundamentais de nossa fé. Como diz o apóstolo João: “Sabemos que: Temos a vida eterna; que Ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos; que somos protegidos pelo Filho de Deus; que somos de Deus e que o Filho de Deus é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Estas certezas nos fundamentam doutrinariamente na vida cristã; pois Deus nunca pretendeu que seus filhos vivam nas sombras da incerteza e da dúvida.

Deus ao nos criar se revelou a nós quando nos formou segundo a sua imagem e semelhança. Depois, por causa do pecado, conhecemos a Deus por meio de seus arautos e profetas. Mais tarde, conhecemos a Deus através de sua mais perfeita revelação, Jesus Cristo – o Deus encarnado.

Hoje, mantemos nossa comunhão e conhecimento de Deus por meio de seu Espírito Santo, o qual nos traz a plena confirmação de que “sabemos que” Jesus é o Cristo de Deus, nosso Senhor e Salvador.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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