A CEIA DO SENHOR – Os perigos que devem ser evitados, pela Igreja.

1 Coríntios 11.27-32.

INTRODUÇÃO

A Ceia do Senhor é uma cerimônia que deve ser realizada com toda a reverência e ordem; sinceridade e seriedade; pois é uma reunião solene, um sacramento estabelecido pelo próprio Cristo aos seus discípulos.

A igreja do Senhor precisa estar plenamente ciente desses pilares no momento da celebração da Ceia, pois é um memorial da morte de Cristo Jesus, como também de sua ressurreição.

A celebração da Ceia também nos proporciona uma oportunidade para meditarmos no que Jesus fez pela sua igreja e nos traz a memória as Suas palavras quando disse que voltaria para busca-la.

Esse momento nos impulsiona a esperar no Senhor, mesmo quando vivenciamos constantemente lutas e tribulações; na verdade, esses padecimentos temporais só nos dão plena certeza de que as promessas do Senhor estão e irão se cumprir e que Seu retorno para buscar a Sua igreja é algo iminente.

Mas, até que Cristo venha, temos esse momento todo especial que precisamos vivenciá-lo a cada celebração e que nos submete a várias atitudes relevantes para nossa vida cristã saudável e relacional com Deus e nossos irmãos em Cristo.

A celebração da Ceia do Senhor é, também, uma figura importante e representativa de nossa comunhão com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo e também de nossa comunhão com os irmãos, por meio da participação do mesmo corpo e sangue de Cristo Jesus.

Qual é o problema que tem acontecido hoje, nas igrejas. Muitos cristãos despreparados biblicamente e psicologicamente, estão deixando de cear quando não estão “bem” com o irmão ou irmã.

Preferem se ausentar desse momento importante e representativo para a igreja do que exercer o amor, perdão, reconciliação, compaixão e comunhão com o irmão e a igreja.

Na verdade essa cerimônia nos ensina a fazer totalmente o contrário, ou seja, por causa do que Cristo fez por nós ao nos perdoar e pagar a nossa divida, enquanto ainda éramos miseráveis pecadores, também devemos fazer o mesmo não só com aqueles aquém amamos, mas também, aqueles que nos perseguem.

A Ceia nos proporciona oportunidade de amar, perdoar e viver uma comunhão sincera, honesta, santa e cristocentrica. Pensando e agindo desta forma, estaremos de fato, celebrando a Ceia do Senhor.

O apóstolo Paulo escreve essa carta aos cristãos de Corinto por vários motivos relacionados à postura cristã desses irmãos.

A igreja de Corinto era cheia de problemas e situações difíceis de lidar. Paulo considerava a igreja de Corinto uma das provas palpáveis do seu ministério apostólico. Havia nessa igreja certos problemas relacionados a contendas e divisões entre o povo de Deus.

Algumas dessas divisões que estavam acontecendo, eram procedentes de praticas erradas dos cristãos de Corinto, inclusive no momento da celebração da Ceia. Um momento que era pra ser celebrado com alegria, amor, paz e comunhão, estava sendo feito com discórdia, falta de amor, falta de comunhão, sem interesse mutuo e com desordem.

A Ceia, no entanto, nos permite a pratica de várias atitudes importantes, tais como:

  1. Sentimento de gratidão – tendo consciência plena do que erámos e o que Cristo fez por nós, com o seu sacrifício;
  2. Uma atitude de reconhecimento, trazendo à nossa mente a importância e significação do pão e vinho como representativos do corpo e sangue de Cristo;
  3. A Ceia também nos permite compreender que todas essas atitudes realizadas por Cristo Jesus na cruz do calvário, devem ser plenamente proclamadas e anunciadas até que Ele venha; pois essa é a grande mensagem do Evangelho de Jesus;
  4. Ela também nos coloca numa vida em constante perspectiva do futuro, sabendo que esse mesmo Jesus que morreu por nós na cruz, é o mesmo que ressuscitou e prometeu voltar para buscar a Sua igreja.

Essas práticas foram sintetizadas por Paulo, ao transmitir as palavras recebidas do Senhor, aos cristãos de Corinto.

O grande problema que encontramos no relato de Paulo aos coríntios, é o fato de essas atitudes que mencionamos não serem postas em pratica da forma correta, como se esperava.

Os cristãos de Corinto estavam celebrando a Ceia sem observar essas atitudes cruciais, como também outras atitudes que Paulo apresenta no texto que lemos. E quais são elas?

  1. Comer o pão e beber o cálice do Senhor, indignamente [v.27];
  2. Comer o pão e beber o cálice do Senhor, sem um autoexame [v.28];
  3. Comer o pão e beber o cálice do Senhor, sem discernir o corpo [v.29].

Nos versículos 27 aos 29 temos o apóstolo Paulo apresentando os perigos que os cristãos de Corinto devem evitar. Nos versículos 30 aos 32 e apresenta à justificativa e consequências de não observar esses perigos. Vejamos cada ponto que Paulo apresenta com a sua justificativa:

I. COMER O PÃO E BEBER O CÁLICE DO SENHOR, INDIGNAMENTE.

[1Co 11.27] “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”.

A Ceia do Senhor está associada à proclamação do imenso valor de Cristo Jesus, à sua memória, especialmente à sua morte e ressurreição, não sendo algo que possa ser efetuado levianamente, conforme os crentes de Corinto vinham fazendo, em sua conduta desordenada.

Essa palavra “indignamente” na sua tradução original não tem nada que incomum em nosso vocábulo, pois também significa “algo que é indigno” ou “o contrário de digno”.

Paulo não está falando nada em mistério para esses cristãos com relação ao perigo de comer o pão e beber o cálice do Senhor, indignamente.

Aqui, de fato, ele está dizendo que: Comer do pão (corpo de Cristo) e beber do cálice (sangue de Cristo) sem levar em consideração o seu significado pleno, é participar da Ceia do Senhor, indignamente.

O apóstolo Paulo está apresentando a esses cristãos que a decência comum, o respeito, a seriedade e ordem, devem ser observadas. Não pode haver qualquer das desordens de glutonaria, de embriaguez, de egoísmo, de degradação e exclusão de outros, de contendas entre os irmãos e falta de compaixão com outros no momento da celebração da Ceia do Senhor.

Hoje temos uma vantagem de não mais participarmos de um banquete antes da Ceia; mas, ainda assim, corremos o risco de participar da Ceia indignamente. Como? Com sentimentos egoístas, em contendas entre irmãos, falta de compaixão e amor, e sem uma seriedade e ordem.

“Participar da Ceia indignamente é assentar-se à mesa de forma leviana e irrefletida” [Hernandes Dias Lopes].

“Os cristãos de Corinto de alguma maneira insultavam o sentido da morte de Cristo, profanando-a, porquanto profanavam a cerimônia que relembrava a sua morte. Pois desonrar o símbolo é desonrar a realidade simbólica” [Russell Norman Champlin].

Para que possamos participar da Ceia do Senhor de forma “digna”, é necessário façamos um autoexame, caso contrário, comeremos do pão e beberemos do cálice indignamente. Vejamos então, o que se entende por “autoexame” dito pelo apóstolo Paulo.

II. COMER O PÃO E BEBER O CÁLICE DO SENHOR, SEM UM AUTOEXAME.

[1Co 11.28] “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice”.

O apóstolo Paulo após apresentar aos cristãos de Corinto a forma “indigna” que estavam se submetendo à celebração da Ceia do Senhor, ele também expõe a maneira correta de participar da Ceia do Senhor.

Ele diz que ao invés de comer o pão e beber do cálice do Senhor indignamente, eles precisavam se submeter a um autoexame; olhando para dentro de si mesmo e buscando uma autoinvestigação a procura de discernir se estão qualificados adequadamente para participarem da Ceia do Senhor; e por assim dizer, participarem dignamente.

O “exame” de nossas condições espirituais e morais da vida nos submetem a um arrependimento genuíno; pois, o sacrifício de Cristo Jesus, representado pelos elementos da Ceia (pão e vinho) é suficiente para produzir em nós a necessidade de arrepender-se e nos voltarmos a Deus.

O simples reconhecimento do que está errado na vida do próprio individuo dificilmente é suficiente para levarmos ao arrependimento. Mas, ao examinar a nós mesmo, o resultado é o pleno conhecimento do que está acontecendo de errado e o próximo passo que devemos tomar é nos arrependermos, e assim, produzirmos a “dignidade” que todo cristão precisa ter, a partir do elemento principal do qual a Ceia nos submete, que é Cristo Jesus.

O problema hoje entre os cristãos é que muitos querem fazer o “exame” da vida dos outros. É muito fácil olharmos para o irmão e saber apontar todos os defeitos e erros que ele comete; o difícil é fazer isso conosco mesmo.

No evangelho de Lucas temos a passagem onde Jesus diz uma parábola aos seus discípulos “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não repara na trave que está no teu próprio? Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verá claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão” [Lc 6.41-42].

A Ceia do Senhor nos conclama a estarmos em união, na qualidade de um só corpo, e não divididos, como se fôssemos membros de diferentes corpos. O autoexame não só nos permite conhecer a maneira correta de participar da Ceia do Senhor dignamente; mas, também, nos submete a um discernimento do corpo.

III. COMER DO PÃO E BEBER O CÁLICE DO SENHOR, SEM DISCERNIR O CORPO.

[1Co 11.29] “Pois que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si”.

Discernir o corpo! Que corpo? Podemos entender que Paulo se refere a dois corpos aqui. O primeiro corpo é o corpo físico de Cristo. É o corpo que foi moído e traspassado na cruz. Contudo, há outro corpo que precisa ser discernido. É o corpo místico de Cristo, a Igreja do Senhor.

Quando participamos da Ceia, desprezando nosso irmão, fazendo acepção de pessoas, ou nutrindo mágoa em seu coração, você está participando sem discernir o corpo; e se participamos desta forma, estamos participando de forma indigna.

Paulo apresenta nos versículos 30 aos 32 a consequência de participar da mesa indignamente, sem se submeter a um autoexame e sem discernir o corpo. Ele diz que a causa de muitos fracos e doentes e não poucos os que dormem, é a falta de se submeter à Ceia de forma digna.

O reverendo Hernandes Dias Lopes diz que “Na vida do crente, fraqueza, doença e morte podem ser disciplina de Deus para nos afastar de pecados mais terríveis e de consequências mais danosas. A disciplina de Deus visa sempre nos fazer voltar para Ele e nos livrar da condenação do mundo”.

Quando você julga a si mesmo, é disciplinado por Deus e a disciplina de Deus traz salvação, cura, e vida. Todavia, quando não julgamos a nós mesmo, nos tornamos autoindulgentes, e o juízo torna-se inevitável.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

A Ceia do Senhor se refere ao passado, trazendo à memória a morte e ressurreição de Jesus. Ela também se refere ao presente quando nos diz que uma nova aliança no sangue de Jesus nos proporcionou o perdão de pecados e salvação de nossas vidas, e agora nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus.

A Ceia do Senhor também se refere ao futuro, quando nos garante que Jesus voltará. Ela nos mantém na esperança da volta de Cristo, nosso Senhor e salvador.

A Ceia do Senhor também nos submete há alguns cuidados a serem evitados quando nos reunirmos para cear.

Ela nos permite um autoexame de nossas vidas, para que possamos refletir sobre atitudes e manifestações do amor de Deus em nós e aos nossos semelhantes; para que então, possamos cear dignamente diante de Deus e irmãos em Cristo.

Ao invés de deixarmos de cear porque estamos magoados ou com laços de amor fraternos rompidos; devemos nos submeter ao “perdão” e ao “perdoar”; para que o sacrifício de Jesus por nós não seja tido por “em vão”.

Se nós participarmos da Ceia do Senhor com pecados não confessados sobre nós; não teremos, então, discernido o corpo que foi partido para que esse pecado fosse perdoado.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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