A CEIA DO SENHOR – Passado, presente e futuro da Igreja.

1 Coríntios 11.23-26.

INTRODUÇÃO

A celebração da Ceia do Senhor nos traz à memória pelo menos três atitudes importantes e concernentes à nossa vida em Cristo Jesus.

  1. A Ceia nos leva ao nosso passado nos submetendo ao que Cristo fez quando ainda estávamos sob a condenação em consequência de nossos delitos e pecados;
  2. Ela também nos remete a uma “conduta cristã” no presente quando nos ensina que, agora, sob uma vida regenerada e salva em Cristo Jesus, movida pelo Espírito Santo, também precisa viver as deliberações deixadas pelo próprio Cristo para que o Seu povo colocasse em pratica “no convívio uns com os outros” e na proclamação do Evangelho;
  3. A celebração da Ceia não nos deixa inertes quanto ao futuro. Somos levados a viver um compromisso firmado numa esperança viva e gloriosa, deixada pelo próprio Cristo, com relação ao futuro da Igreja.

Essas atitudes e considerações foram plenamente deixadas por Deus ao seu povo, no Antigo Testamento [Êx 12], como também o próprio Jesus Cristo estabeleceu aos seus discípulos [Mt 26.26-30; Lc 22.19-23; Mc 14.22-26] e agora, temos um chamado motivacional e exortativo do apóstolo Paulo a nos submeter à esses princípios importantes à Igreja do Senhor.

Paulo Inicia este capítulo onze da primeira carta aos coríntios tratando de assuntos que estava trazendo discussões e até divisões na igreja. Ele inicia falando diretamente às mulheres quanto ao uso ou não do véu [v. 2-16]; Paulo exorta aos irmãos em Corinto sobre a falta de zelo e cuidados quando se reuniam para celebrar a Ceia do Senhor [v. 17-22] e também lhes convida a celebrarem a Ceia da forma correta, levando em consideração os princípios deixados por Jesus Cristo e as atitudes que a Ceia do Senhor representava para a vida de cada cristão, sobre tudo, em conformidade com a Igreja.

O apóstolo Paulo trata desse assunto com os irmãos de Corinto com seriedade e os exortam a observarem os pontos importantes que essa cerimônia nos submete e a mensagem que ela evoca para a vida cristã.

Veremos alguns princípios importantes que o apóstolo Paulo destaca para os cristãos de Corinto que também tem extrema importância para nós, nos dias de hoje, tendo como ponto de discussão, a ideia de uma cerimônia deixada por Jesus Cristo, que vem de encontro ao passado, presente e futuro da Igreja do Senhor.

A Ceia é um culto que deve ser celebrado num ambiente de ordem, respeito e fraternidade. É uma cerimônia solene, um memorial da morte de Cristo, oportunidade oferecida a você para meditar nos padecimentos de Jesus e também na promessa de sua volta.

O apóstolo Paulo, zeloso com a prática da cerimônia da ceia, instrui a igreja de Corinto quanto à ordem a ser observada na distribuição do pão e do vinho e no significado desses elementos.

[v. 23-24] “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus. Na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em memória de mim”.

O tempo Passado

Perceba que as palavras do apóstolo Paulo nos transportam para a “noite em que Jesus foi traído” e nos lembra da mensagem que Jesus Cristo disse aos seus discípulos quando “tomou o pão; e, tendo dado graças o partiu e disse” “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em memória de mim”.

O apóstolo Paulo está nos levando em uma viagem no tempo passado, para nos mostrar o que Jesus fez por nós e o que isso custou.

  1. O Jesus fez por nós?

É fato que estávamos mortos em nossos delitos e pecados [Ef 2.1] porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus [Rm 3.23]; e sabemos que o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor [Rm 6.23].

E por causa disso Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si [Is 53.4]. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas as suas pisaduras fomos sarados [Is 53.5].

  1. O que isso custou a Jesus?

Ele nos comprou com o seu próprio sangue [At 20.28] e o seu sangue nos purifica de todo pecado [1Jo 1.7].

Jesus Cristo, mesmo diante de pessoas imperfeitas e também daquele que o trairia, tomou o pão, deu graças a Deus porque Ele é quem providenciou esse pão necessário para a remissão de pecados; depois o partiu em conformidade com o que aconteceria com ele, pois o seu corpo seria entregue em punição dos pecados daqueles que reconheceram esse sacrifício como expiatório; e em seguida os convidou a celebrarem aquele momento em memória dele.

Pelo menos duas atitudes devem ser observadas e praticadas no momento da celebração da Ceia do Senhor.

  1. Gratidão: O texto diz “e, tendo dado graças”. Na cerimônia da Ceia Jesus deu início agradecendo ao Pai. Esse sentimento de gratidão deve se mantido em nós todas as vezes que nos reunirmos para celebrar tão importante cerimônia.
  2. Lembrança: O texto continua dizendo “fazei isto em memória de mim”. Todas as vezes que nos reunirmos precisamos ter em mente o que Ele fez por nós e o que isso lhes custou. A morte de Cristo é recordada mediante a mesa da comunhão.

[v. 25] “Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”.

O tempo Presente

Paulo também está trazendo aos cristãos de Corinto a importância da cerimônia da Ceia para eles naquele momento e lhes falou, usando as palavras de Jesus, que agora eles não estavam mais sob a aliança que foi estabelecida no passado, desde Noé e sua descendência; mas sob uma nova aliança no sangue de Jesus.

Esta nova aliança se difere da antiga porque traz uma nova forma de perdão de pecados e salvação.

Hoje não precisamos mais dos rituais de oferendas pelo pecado como no Antigo Testamento; mas, temos um novo meio de sermos salvos e perdoados os pecados, o sangue de Cristo Jesus.

Essas palavras nos trazem certeza de um tempo presente glorioso em Cristo Jesus. Elas nos levam a olhar para o este presente e sabermos que temos motivos suficientes para celebrarmos está cerimônia com alegria e plena satisfação; pois, já não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus [Rm 8.1].

[v. 26] “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha”.

O tempo futuro

Paulo também fala dos sentimentos e obrigações que o cristão é movido e incentivado a viver, no momento da celebração da Ceia. Pelo menos duas atitudes são entendidas aos lermos esta passagem:

Em primeiro lugar precisamos conhecer quando esses sentimentos e atitudes devem vir à tona na vida do cristão. Paulo diz que “todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice”.

A igreja primitiva tinha a pratica de se reunir “Diariamente perseverando unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” [At 2.46]. Essa era uma pratica constante dos cristãos do primeiro século.

Paulo também traz essa importância para os cristãos de Corinto com a intenção de que precisavam manter viva essa pratica. Embora que, com o passar dos anos essa pratica foi tomando menos “espaço contínuo” como no passado.

  1. Proclamação: A primeira atitude que somos levados a viver quando Paulo transmite essas palavras, é a de proclamarmos a morte e ressurreição do Senhor Jesus.

É fato que Jesus não somente morreu como também ressuscitou ao terceiro dia. Embora Paulo não diga explicitamente que Jesus tenha ressuscitado, mas, suas palavras são claras em dizer que ele morreu e voltará.

O culto de Ceia é uma anunciação. É a proclamação da morte de Jesus, através de um sermão falado e meios simbólicos, como o “pão e o vinho”. E acima de tudo isso, é saber que Ele morreu e ressuscitou.

Se não fizermos essa proclamação apresentando que Cristo ressuscitou estaremos cometendo o mesmo erro de muitas religiões de achar que a morte venceu a Jesus Cristo.

  1. Esperança: O texto que lemos nos dá essa esperança quando diz “até que ele venha”.

A Ceia do Senhor expressa a nossa firme confiança em um Deus que é poderoso e Senhor até da morte. A Ceia expressa que a morte não foi capaz de deter nosso Senhor. A ressurreição de Jesus nos diz que ele é verdadeiramente o pão da vida. Ele é o Senhor da vida. Ele é a própria vida.

Paulo ainda nos diz que “… na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o alguém vê, como espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência aguardamos” [Rm 8.24-25].

CONCLUSÃO

A Ceia do Senhor se refere ao passado, trazendo à memória a morte e ressurreição de Jesus. Ela também se refere ao presente quando nos diz que uma nova aliança no sangue de Jesus nos proporcionou o perdão de pecados e salvação de nossas vidas, e agora nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus.

A Ceia do Senhor também se refere ao futuro, quando nos garante que Jesus voltará. Ela nos mantém na esperança da volta de Cristo, nosso Senhor e salvador.

A Ceia do Senhor é um memorial de ordem e respeito. Ela requer de seus participantes, atitudes de gratidão, lembrança, proclamação e esperança.

A Ceia do Senhor tem como centralidade o próprio Senhor Jesus que foi morto e ressuscitou; que foi humilhado, mas foi exaltado soberanamente; que abandonado e crucificado na terra, pelos homens; mas recebido e glorificado nos céu, por Deus.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

3 comentários em “A CEIA DO SENHOR – Passado, presente e futuro da Igreja.

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