Os filhos de Deus à semelhança do Filho de Deus, Jesus Cristo!

1 João 3.1-6.

INTRODUÇÃO

Uma verdade presente no meio do povo de Deus é a crise de identidade. Hoje não sabemos identificar com facilidade quem é cristão porque tudo tem se tornado banal, inclusive esse termo “cristão”.

Banal não por causa do nome, mas por aqueles que se valem deste nome para esconderem suas imperfeições e pecados.

Hoje vivemos essa crise de identidade no meio do povo de Deus. Dificilmente alguém saiba definir o cristianismo; ou, os marcos do cristianismo; ou os grandes nomes que contribuíram para o avanço do cristianismo. Muitos até se intitulam “cristãos”, mas desconhecem o cristianismo e o Cristo por trás do cristianismo.

Ser cristão” vai muito além de apenas ser “chamado de cristão”. Existem responsabilidades por trás dessa definição. Existem comportamentos, atitudes, direções, emoções, sentimentos, ações pessoais e interpessoais, obrigações e particularidades que um cristão precisa tomar conhecimento e praticar.

Ao mesmo tempo, como cristãos, somos fortalecidos com uma esperança viva e triunfante, de uma vida – embora repleta de sofrimentos e obrigações, mas certa de uma vida plena e gloriosa quando o Filho de Deus, Jesus Cristo se manifestar e buscar aqueles que perseverarem até o fim.

O apóstolo João após combater os falsos mestres e alertar esses cristãos sobre o surgimento de anticristos, ele também fala da permanência daqueles que perseverarem até o fim desta era até a manifestação daquele que virá buscar o seu povo.

Ele disse nos versículos anteriores que a característica principal destes cristãos, para distingui-los dos outros, falsos cristãos, é o Espírito Santo em suas vidas.

Agora ele continuará dando exemplos desta distinção, daqueles que estão em Cristo e os que estão contra Cristo.

Em primeiro momento o apóstolo João vai fazer referência daqueles que estão em Cristo em pelo menos três distinções: Em primeiro lugar, ele vai falar a esses cristãos, “O QUE SOMOS EM CRISTO”. Em segundo lugar, ele fala “O QUE SEREMOS EM CRISTO”. Em terceiro lugar, ele termina esse primeiro momento dizendo “O QUE DEVEMOS SER EM CRISTO”.

Em segundo momento temos o apóstolo fazendo um paralelo da vida dos que não têm Cristo em suas vidas com aqueles que estão em Cristo. Ele apresenta o pecado e o próprio Cristo como elementos de distinção de ambas as pessoas.

Então, a luz do texto, veremos essas verdades implícitas para a vida cristã autentica e distinta da vida em engano, pelo pecado presente.

I. O QUE SOMOS EM CRISTO [v. 1]

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados de filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu”.

Essa grande verdade não está relacionada a nada que venhamos fazer para “sermos” cristãos, mas o que nos foi feito, no passado, por nós. Esse ensinamento do apóstolo João nos remete ao que foi feito no passado por nós, que nos dá uma credencial no presente, de suma importância.

João desperta a atenção desses cristãos sobre esse fato importante. Ele diz “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai”. O apóstolo João, homem que foi alcançado por aquele que é a expressão perfeita do amor de Deus, chama atenção dos seus irmãos em Cristo para essa importante realidade.

Deus pelo seu grande amor nos reconciliou consigo mesmo através de seu Filho, Jesus Cristo.

“Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo Jesus e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação” [2Co 5.18-19].

Em Cristo Jesus somos reconciliados com Deus. Essa reconciliação foi através do sacrifício expiatório de Cristo. E por meio d’Ele somos “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” [Rm 5.1]. Essa verdade suprema do cristianismo só nos diz uma única coisa: EM CRISTO SOMOS FILHOS DE DEUS.

O apóstolo João está despertando essa verdade para seus irmãos que, além de terem paz com Deus e de serem justificados mediante a fé, somos chamados de filhos de Deus, e de fato somos filhos de Deus [1Jo 3.1b]. Ele traz essa repetição para aqueles cristãos afim de que compreendam que a participação na natureza divina começa nesta vida.

Quando ele diz que o fato de sermos filhos de Deus é a razão do mundo não nos conhecer, João está falando do sistema maligno deste mundo. O sistema que nos persegue e nos aflige em busca de nos destruir e separarmo-nos de Deus.

O mundo não conhece a Deus como nós O conhecemos. Essa é uma característica peculiar do cristão. Os falsos mestres e anticristos pertencem a este sistema maligno. São guiados por suas próprias ganancias e desejos carnais. Somente aqueles que estão em Cristo de fato conhecem a Deus, porque Cristo é a revelação perfeita de Deus.

II. O QUE SEREMOS EM CRISTO [v. 2]

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”.

Outra característica de um cristão é apontada pelo apóstolo João. Em primeiro momento ele nos diz com todas as letras que, somos filhos de Deus; agora, ele diz que pelo fato de sermos filhos de Deus existe uma missão que nos é colocada de imediato: SERMOS SEMELHANTES A ELE.

Eis o grande desafio diário de todos aqueles que estão em Cristo, sermos semelhantes a Ele.

Agora, observe na declaração de João que ele não está dizendo para aqueles cristãos que seremos iguais a Cristo; o que ele diz é que seremos semelhantes a Cristo.

Ser “igual” a Cristo é algo perigoso pra nós. Devemos pensar bem antes de fazer tal declaração. Quando olhamos para a Bíblia vemos Deus punindo e espalhando um povo que desejava se poderoso de nome e Deus os espalhou pelas quatro cantos da terra e lhes confundiu a língua [Gn 11.1ss].

Quando a o diabo engana Eva no jardim, ele não inventa nenhuma mentira, ele apenas distorce a verdade quando diz que eles não morreriam, mas seriam “como Deus” [Gn 3.1ss].

Eva não se preocupou se de fato iria morrer ou não, mas quis ser como Deus. Devemos tomar cuidado quando queremos estar no lugar de Cristo ou sermos iguais a Cristo.

A Bíblia diz em Gn 1.26 “… façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…”. A palavra semelhança aqui significa “parecidos”, ou seja, como cristãos fomos criados para sermos parecidos com Cristo.

Outro fato importante que João declara para os seus irmãos é o tempo que isso irá acontecer. Ele diz que seremos semelhantes a Cristo quando o próprio Cristo se manifestar.

Aqui ele está fazendo referencia a segunda vinda de Cristo, fazendo uma exortação aos que acreditavam que Cristo não viria por ter sido homem e já ter morrido de forma perecível.

Ele diz que esse Cristo irá voltar e, quando Ele se manifestar, então seremos semelhantes a Ele. Por hora, somos filhos de Deus. Compartilhamos dos privilégios da graça de Deus em nos reconciliar com ELE mesmo pelo seu Filho.

Qual a distinção entre sermos filhos de Deus agora e semelhantes ao Filho de Deus quando Ele se manifestar no futuro?

  1. Sermos feitos filhos de Deus, agora, nos garante uma vida com Cristo quando Ele se manifestar. Só aqueles que foram regenerados em Cristo terão a felicidade de serem manifestados com Ele na sua segunda vinda. Aqueles que neste dia, não estarão dentro deste perfil de “filho de Deus” serão envergonhados e afastados de Sua presença em Sua segunda vinda.
  2. Sermos feitos filhos de Deus, agora, nos ajuda a nos mantermos firmes e constantes na fé. Mesmo em meio a tribulações e sofrimentos no tempo presente, pois tudo isso não se comparará com a glória que nos será revelada. Só a partir daí, seremos semelhantes a ELE.

O apóstolo Pedro nos diz que: “Ora, o Deus de toda graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar” [1Pe 5.10].

O fato de estarmos em Cristo, como filhos de Deus hoje, nos ajuda a sofrermos os sofrimentos presentes neste tempo, pois eles não hão de se comparar com a glória que há de ser revelada.

Pedro ainda diz que: “Ora, logo que o supremo pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa de glória” [1Pe 5.4].

Quando Ele se manifestar o veremos como Ele é porque somos filhos de Deus em Cristo Jesus e essa verdade nos faz, ao olharmos no espelho, contemplamos a Cristo, aperfeiçoado a cada dia em nós.

III. O QUE DEVEMOS SER EM CRISTO [v. 3]

“E a si mesmo se purifica todo o que nele tem essa esperança, assim como ele é puro”.

O apóstolo João traz outra verdade crucial para o cristão que aguarda a manifestação de Cristo. Pelo menos duas verdades são encontradas nas palavras do apóstolo João:

  1. Somente aqueles que são filhos de Deus, criados a semelhança de Cristo, aguardam a manifestação de Cristo em plena santificação.

O cristão verdadeiro vive uma vida em santidade e plena consagração ao Senhor. Sua vida gira em torna consciente de que a qualquer momento Cristo irá voltar. Seu desejo é estar preparado como as cinco virgens prudentes [Mt 25.1-13]. O lema deste cristão é “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” [Mt 25.13].

  1. Somente aqueles que são filhos de Deus, criados a semelhança de Cristo e que aguardam a manifestação de Cristo em plena santificação, tem a esperança de sua vinda.

Jesus nos deixou uma única promessa para nos mantermos firmes na esperança da volta d’Ele. Ele disse: “E, quando eu for e vos prepara lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” [Jo 14.3].

A única certeza que o cristão tem nesta vida é que Cristo irá voltar pra nos buscar e estaremos com Ele para sempre no lugar que foi preparar.

Por isso não buscamos uma prosperidade nesta vida porque tudo isso irá passar, e somente aqueles que permanecerem n’Ele até o fim serão manifestados com Ele.

IV. A DISTINÇÃO DOS QUE ESTÃO EM CRISTO E OS QUE NÃO ESTÃO EM CRISTO [v. 4-6]

João conclui suas palavras trazendo um diferencial gritante entre os que estão em Cristo e os que não estão. Pelo menos três características são ditas nesta passagem:

  1. João diz que “todo aquele que pratica o pecado também transgride a Lei” [v. 4].

O pecado é a transgressão da Lei. Todo aquele que pratica o pecado está e plena transgressão da Lei. Note que transgredir a lei é está em desobediência a alguma norma que rege algum sistema ou governo.

A transgressão da lei aqui é os padrões de Deus para o homem. Todo aquele que tem sua vida em inclinação a descumprir a lei de Deus, está em pratica do pecado.

Aqui não está se referindo aquele que uma vez ou outra se deixa levar pela sua natureza e acaba pecando. Esse é o cristão que tem o pecado como um incidente em sua vida; mas, a sua plena certeza de que “se confessarmos nossos pecados Ele é fiel e justo para nos purificar de todo pecado” está presente diariamente na vida do cristão.

Aqui ele se refere aquele que “pratica” o pecado. Tem uma vida envolvida pelo pecado. Suas atitudes são uma somatória de transgressão à lei de Deus.

  1. João ainda diz que Cristo se manifestou para tirar os pecados [v. 5]

João traz para esses cristãos que só existe um que pode tirar os pecados, e esse é o próprio Cristo. A vinda de Cristo ao mundo teve como objetivo principal “tirar os pecados do mundo” [Jo 1.29].

Esse não é um cordeiro qualquer. Esse cordeiro que tira o pecado do mundo é o único que pode cumprir essa missão cabalmente porque n’Ele não há pecado.

A Palavra de Deus nos diz “assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados do muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” [Hb 9.28].

  1. João conclui dizendo que Quem permanece em Cristo não vive pecando [v. 6].

A palavra “permanecer” e a chave para uma vida sem pecado. Permanecer em Cristo significa ter comunhão com Ele e não permitir que coisa alguma se coloque entre Cristo e nós.

O fato de sermos adotados e feitos filhos de Deus nos uni a Cristo; mas, somente pela comunhão com Cristo nos permite permanecer em Cristo. É nessa comunhão com Cristo que nos guardará de uma vida em transgressão a lei de Deus e em desobediência a sua Palavra.

A pessoa que peca deliberadamente prova que não conhece a Cristo no sentido de saber que Ele é santo e puro, e com isso, não permanece n’Ele.

O apóstolo Paulo no livro de Romanos capítulos 6 a 8 trata da verdadeira identidade do cristão. Ele diz que Cristo morreu e ressuscitou, e nós também, em Cristo, somos participantes de sua morte e ressurreição. Cristo não apenas morreu por nós como também nós morremos com Cristo.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

O cristão de verdade tem sua identidade plenamente estabelecida, não por ele mesmo, mas por meio de Cristo. Nossa vida agora deve ser o reflexo daquele que nos chamou para o reino do seu amor.

Essa vida com Cristo nos traz a plena certeza de que, quando Ele se manifestar, seremos manifestados com Ele em glória; pois nosso bem maior nesta vida é sabermos que fomos comprados pelo sangue de Cristo e que Ele voltará para buscar aqueles que permanecerem fiéis até o fim desta vida, e o inicio de uma eterna vida com Cristo.

Publicado por Pr. Luiz de Souza

Não ousaria me definir em frases prontas ou palavras que prefiguram alguém que ainda esta em construção. Vivo para que Deus seja conhecido e busco conhecer cada vez mais esse Deus. Minha gratidão é plena ao ser alcançado e resgatado por Jesus, e por isso vivo para que Ele cresça e eu diminua cada vez mais. Pois "A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo". [Ef 3.8]

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